Textos por Edson Souza e Giliard Miguel
Acervos: Eurípedes da Silva Ferreira -- Sérgio De Simone para o CONDEPHAAT
Vista da Praça Coronel Julião, no Centro de Ilhabela, registrada em 1971 pelo então prefeito Eurípedes da Silva Ferreira. A fotografia foi anexada a uma correspondência enviada ao CONDEPHAAT, que buscava informações sobre o antigo prédio da Cadeia e Fórum.
Em destaque na imagem está o Obelisco de Anchieta, obra do escultor Alfredo Oliani, monumento que integra a paisagem da praça há décadas.
Em uma de suas faces encontra-se uma placa de bronze em homenagem aos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, alusiva aos 400 anos de sua passagem pela ilha. Originalmente instalada no jardim frontal da Igreja Matriz, a placa foi posteriormente transferida para o obelisco quando o espaço passou a abrigar a escultura de São Benedito.
Embora algumas informações históricas presentes na inscrição sejam hoje objeto de questionamentos, o monumento permanece como um importante registro da memória local e da valorização do legado jesuítico em Ilhabela.
Na face oposta do obelisco foi incorporado um painel cerâmico formado por doze azulejos que compõem a imagem de Anchieta. A obra, criada em 1958 pela artista Ruth Irsigler, passou a integrar o monumento em 1965, enriquecendo ainda mais seu valor artístico e histórico.
Inaugurado em 1914, o edifício foi construído em um terreno doado pela Câmara Municipal de Ilhabela ao Governo do Estado de São Paulo, substituindo a antiga Cadeia e Quartel da Vila. Ao longo de mais de um século, o imóvel desempenhou diferentes funções e acompanhou a evolução administrativa e social do município.
Entre seus diversos usos, o prédio já abrigou a Cadeia Pública, o Fórum, a Câmara Municipal, o Detran, a Delegacia de Polícia, a Secretaria do Meio Ambiente e até serviu de cenário para produções cinematográficas de época. Atualmente, é a sede do Museu dos Naufrágios de Ilhabela, preservando e divulgando parte da rica história marítima do arquipélago.
Muitos moradores ainda se recordam de quando o local era procurado para a emissão da Carteira de Identidade. O processo era bem diferente dos dias atuais: primeiro, comprava-se uma ficha no tradicional Bazar São Paulo; depois, ela era levada lá para preenchimento. Em seguida, o cidadão recebia um protocolo com a data marcada para retirar o documento pronto.
Mais do que um edifício histórico, este prédio reúne memórias de gerações de ilhabelenses, que por diferentes motivos passaram por suas portas ao longo das décadas.
Antigo prédio da Cadeia e Fórum, registrado em agosto de 2001 pelo arquiteto Sérgio De Simone para o CONDEPHAAT.
Em primeiro plano, a Praça Alfredo Oliani, homenagem ao escultor e restaurador que coordenou as obras de restauração da Igreja Matriz da Vila. Convidado por seu amigo Leonardo Reale, Oliani veio para Ilhabela e assumiu a direção dos trabalhos de restauro após aprovação do Conselho da Matriz. Entre as curiosidades de sua trajetória, está o fato de ter participado de uma sessão da Câmara Municipal contestando a utilização de seu nome na praça. Apesar disso, a homenagem foi mantida pelo município.
Situação semelhante ocorreu com o Doutor Carvalho, que também manifestou oposição à homenagem em vida, mas continua eternizado na tradicional Rua da Praia que leva seu nome.
A fotografia também preserva elementos que despertam a nostalgia de quem viveu aquela época: o antigo Cruzeiro ainda em cimento e um dos ônibus da Viação Ilhabela circulando pelo centro histórico, compondo uma cena típica do início dos anos 2000.
Na imagem seguinte, a Rua da Padroeira revela mais um recorte do cotidiano da Vila, com a moto dos Correios — quando a agência ainda funcionava no Centro Histórico — e um belo ângulo de um dos cenários mais charmosos e tradicionais de Ilhabela.
A Vila, registrada em agosto de 2001 pelo arquiteto Sérgio De Simone para o CONDEPHAAT. A imagem reúne construções que marcaram diferentes fases da história do centro histórico de Ilhabela. Em destaque, o tradicional Bazar São Paulo. Do outro lado da rua, o casarão amarelo que, em outros tempos, abrigou a Coletoria Municipal e, ao longo dos anos, recebeu diversos usos, entre eles restaurantes e lojas comerciais. Ao lado, aparece o antigo Rex Hotel, no prédio branco que atualmente abriga a Sorveteria D’Aqui. Seguindo pela Rua da Padroeira, encontravam-se antigas pensões, a agência dos Correios e outros edifícios que ajudam a contar a história da Vila.





















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