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Viagem à Ilhabela - Participação Paul Albert Claveau - Acervo Maitê Claveau

Espaço do Colaborador - Participação de Maitê Claveau

Fotografias por Paul Albert Claveau

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Uma viagem no tempo: A Ilhabela dos anos 1960. Você consegue imaginar a chegada da balsa em Ilhabela sem o movimento e o asfalto de hoje?

Este registro precioso, feito na década de 1960 (entre 1962 e 1967), nos mostra a Barra Velha em uma realidade completamente diferente. A ponte do terminal, ainda uma estrutura simples de madeira, havia sido inaugurada em 1959 pelo então governador Jânio Quadros, ao lado do prefeito de Ilhabela, Geraldo Augusto Procópio da Cunha Junqueira.

Detalhes que contam história: Contraste de épocas: na fila de embarque, os primeiros carros de turistas dividem espaço com carroças puxadas a cavalo — que funcionavam como os "táxis" daquela época.

A paisagem preservada: com a maré baixa, destacam-se os casarões na rua da praia. Ao fundo, os morros exibem apenas os antigos caminhos de bois, sem nenhuma casa à vista.

Quem foi o olhar por trás da lente?

A fotografia é de Paul Albert Claveau, um executivo e diretor-geral francês (liderou grandes grupos como a Rhodia no Brasil) que viveu no país entre 1962 e 1974. Apaixonado pelas nossas paisagens naturais, Paul percorreu o litoral paulista e fluminense registrando cidades como Paraty, Angra dos Reis, São Sebastião e Ilhabela bem no início de suas profundas transformações. Deixou um legado que une a liderança empresarial ao precioso registro histórico de nossas comunidades.

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Uma joia do Norte: Quem conhece a charmosa Praia do Viana, na região norte de Ilhabela, hoje em dia, mal pode imaginar o seu passado agrícola e pacato. Neste belíssimo registro da década de 1960, feito por Paul Albert Claveau, a praia nos encanta com sua pureza e charme natural. Muito antes de se tornar um reduto de turistas e gastronomia, essa região era uma área de cultivo — entre elas, uma das roças pertenceu a José Alves Vianna.

Hoje, a praia preserva seu encanto, com águas tranquilas, natureza exuberante e um charme que atravessa gerações. Sobre as pedras junto à costa, destaca-se o Farolete do Viana, inaugurado em 1962, um pequeno marco que completa a beleza desse cenário histórico.

Detalhes marcantes da imagem: estruturas na areia: note as estruturas de madeira (jirais ou varais) montadas ao longo da praia, típicas da vida caiçara tradicional e do manejo local. O Farolete do Viana: olhando bem ao fundo, sobre as pedras da costa, avista-se o farolete do Viana. Ele havia acabado de ser inaugurado em 1962, tornando-se um marco para a navegação e completando essa paisagem inesquecível.

Arquitetura antiga: uma casa isolada com telhas coloniais à beira-mar, cercada por árvores frondosas e coqueiros, em uma época onde a natureza ainda dominava a orla.

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Ecos do passado: Quem visita a charmosa Praia da Armação, no norte de Ilhabela, hoje famosa pelos esportes náuticos e pelo vento constante, caminha sobre séculos de transformações profundas.

Neste registro magnífico da década de 1960, feito por Paul Albert Claveau, vemos a enseada pontilhada por barcos de pesca e a icônica capela à beira-mar. O nome original do local — Armação das Baleias — guarda a memória de um período controverso: a época colonial em que a região era um dos principais centros de caça à baleia no litoral brasileiro.

A virada histórica e a imigração — Com o fim da atividade baleeira, a praia encontrou novos caminhos. Por volta de 1930, famílias de imigrantes japoneses se estabeleceram na Armação, implantando indústrias de salga de peixe e impulsionando a pesca artesanal de sardinhas e manjubas, transformando a economia local.

A curiosa história da Capela da Imaculada Conceição — A capela que se destaca na foto carrega uma tradição cultural fascinante: originalmente, o padroeiro da capela era São Pedro. Durante uma grande reforma no passado, os pescadores levaram a imagem de São Pedro para a Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda e Bonsucesso (na Vila), onde ela acabou sendo doada ao acervo principal.

Quando a igreja da Armação foi reinaugurada, a imagem entronizada foi a da Imaculada Conceição. Para manter a tradição viva, os pescadores criaram uma peregrinação histórica: uma linda procissão marítima que, até hoje, traz a imagem de São Pedro de volta pelo mar até a Praia da Armação.

A Armação é um testemunho vivo de como Ilhabela soube se reinventar — deixando para trás o passado colonial para se tornar um santuário de beleza, cultura e devoção.

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A Praia do Viana (lado esquerdo), no norte de Ilhabela, guarda em seu nome a memória das primeiras famílias que viveram na região. Conforme os antigos registros da Câmara Municipal, a praia — homônima ao bairro — já era mencionada em escrituras desde 1850.

Neste belo registro de Paul Albert Claveau, diretor da Rhodia no Brasil, é possível apreciar o charme e a tranquilidade que sempre marcaram a pequena enseada. As pedras da orla compõem uma paisagem singular, tendo ao fundo (lado direito) o Farolete do Viana, inaugurado em 1962.

Atualmente, a Praia do Viana é conhecida por seu ambiente sofisticado, mas também carrega uma curiosa história no cinema brasileiro. Sua beleza natural serviu de cenário para filmes como A Virgem e o Machão (1974), A Ilha das Cangaceiras Virgens (1976) e O Inseto do Amor (1980). Um lugar onde história, paisagem e cultura se encontram, preservando a essência de uma das praias mais encantadoras de Ilhabela.

OBSERVAÇÃO — Esse local é conhecido como ‘prainha’ ou ‘Praia do Hotel Mercedes’ — Historicamente, os documentos registram apenas a Praia do Viana, descrita, inclusive, como sendo "dividida ao meio pela Pedra do Baú". A denominação "Praia do Mercedes" não é oficial; trata-se de um nome de uso popular, associado ao empreendimento localizado naquele trecho.

Sobre o farolete, ele realmente está situado na outra extremidade da enseada. Por isso utilizamos a expressão "tendo ao fundo o Farolete do Viana", referindo-nos ao conjunto da paisagem da praia, e não ao ponto exato onde a fotografia foi registrada.

As transformações urbanas e imobiliárias modificam a forma como alguns locais passam a ser conhecidos, mas os registros históricos preservam a denominação original, que é justamente o foco da publicação.

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A Praia da Garapocaia, em Ilhabela, abriga um dos cartões-postais mais famosos do arquipélago: as lendárias Pedras do Sino. Com mar calmo e paisagem encantadora, é um dos melhores lugares para quem deseja aproveitar momentos tranquilos em família.

Mais do que sua beleza natural, a região guarda uma rica história. Em 1925, durante sua estadia na Fazenda Garapocaia, a escritora alemã Margaret Legge encontrou inspiração para escrever o livro The Spell of Atlantis (O Feitiço de Atlântida), cuja trama e personagens são ambientados na Ilhabela de outrora.

As famosas pedras, empilhadas à beira da praia, despertam a curiosidade de visitantes há gerações. Quando golpeadas com certa firmeza, emitem um som metálico, claro e vibrante, semelhante ao toque de um sino — característica que deu origem ao nome do local.

Esse cenário singular também ganhou as telas do cinema brasileiro, eternizado no clássico Caiçara (1950), da Companhia Vera Cruz. Garapocaia, pelas lentes de Paul Albert Claveau, diretor da Rhodia no Brasil; onde história, literatura, cinema e natureza se encontram em um dos lugares mais emblemáticos de Ilhabela.

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Em 1959, foi oficializada a travessia de balsa no Estreito da Ilha de São Sebastião, marcando uma nova etapa na ligação entre o continente e o arquipélago de Ilhabela. O serviço era realizado pelo FB-1 (Ferry Boat), equipado com motor de 160 HP e capacidade para transportar apenas oito veículos por viagem.

As partidas aconteciam a cada duas horas. Em São Sebastião, o embarque era feito pelo píer do Porto, administrado pela Companhia Docas de São Sebastião; em Ilhabela, os veículos desembarcavam no antigo pontão de madeira da Fazenda Barra Velha.

Neste registro de Paul Albert Claveau (Rhodia no Brasil), realizado na década de 1960, vemos o bolsão de embarque em São Sebastião e um belíssimo exemplar do veículo  Renault 4CV, produzido entre as décadas de 1940 e 1960. A fotografia eterniza um momento que rapidamente se tornaria familiar aos moradores e visitantes: as filas de espera pela balsa.

Mais de seis décadas depois, a travessia continua fazendo parte da rotina de quem vive e visita o arquipélago. Embora a estrutura e a capacidade do sistema tenham evoluído ao longo dos anos, alguns aspectos permanecem os mesmos.


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