“Gladiador — O Filme” foi lançado em 5 de maio de 2000, alcançando grande sucesso tanto nas bilheteiras quanto nas críticas. Com um enredo envolvente e uma fotografia impressionante, o filme recebeu elogios de especialistas e conquistou uma série de indicações a prêmios. No Oscar de 2001, “Gladiador” foi indicado em 12 categorias, das quais venceu 5 — Melhor Filme, Melhor Ator Principal para Russell Crowe, Melhor Figurino, Melhor Efeitos Especiais e Melhor Som.
O filme que teve um orçamento de US$ 103 milhões, ultrapassou essa marca em bilheteiras apenas duas semanas após seu lançamento. A trilha sonora de Hans Zimmer, que acompanha a grandiosidade do filme, se tornou uma das mais vendidas de todos os tempos, marcando um importante legado musical.
Dirigido por Ridley Scott, “Gladiador” teve a distribuição na América do Norte pela DreamWorks SKG e globalmente pela Universal Pictures. Estrelado por Russell Crowe, Joaquim Phoenix, Connie Nielsen, Ralf Moller, Oliver Reed, Djimon Hounsou, Derek Jacobi, John Shrapnel e Richard Harris, o filme deixou um impacto cultural profundo.
Além disso, “Gladiador” é creditado como o grande responsável por desencadear
uma onda de épicos históricos no cinema, inspirando a produção de outros
grandes filmes do gênero nos anos seguintes, como Tróia (2004), Rei
Arthur (2004), Alexandre (2004), 300 (2006), Noé (2014), Cruzada (2005),
Robin Hood (2010) e Êxodo Deuses e Reis (2014). Destacam-se
também os filmes Noé e Robin Hood, que, assim como Gladiador, contaram com
a direção de Ridley Scott e a participação de Russell Crowe em
papéis principais.
A História Contada no Filme
“Gladiador” se passa no ano 180 d.C., apresentando a história de Maximus, um general romano leal ao imperador Marcus Auréllius. O general e seu exército estão envolvidos em uma guerra crucial contra os Bárbaros Germânicos, que ameaçam invadir Roma. Durante a batalha, o Imperador, à beira da morte, decide escolher Maximus como seu sucessor, ao invés de seu próprio filho, Commodus, o que desencadeia uma luta pelo poder no Império Romano.
Consumido pela inveja e pela ambição, Commodus, ao descobrir a decisão do pai, assassina Marcus Auréllius e, em seguida, condena Maximus e sua família à morte. Com a morte de seu pai, Commodus assume o império, mas, sem saber, Maximus consegue escapar da execução graças às suas notáveis habilidades de luta. No entanto, despojado de sua família e de sua posição, o general é capturado e vendido como escravo, sendo comprado por um apostador chamado “Próximo”, que o leva para os jogos de gladiadores.
Enquanto isso, em Roma, Commodus cria uma série de batalhas sangrentas no Coliseu, organizando jogos de gladiadores para entreter a população e consolidar seu poder. Os jogos atraem apostadores e o famoso “Próximo”, com seu grupo de gladiadores, segue para Roma, levando Maximus junto. Determinado a vingar a morte de sua família e a injustiça que sofreu, Maximus se destaca na arena, ganhando a confiança da multidão, o que torna possível seu plano de confrontar Commodus.
No auge da trama, Maximus e Commodus se enfrentam cara a
cara na arena do Coliseu, no momento decisivo de uma luta que irá além da
batalha física, carregada de vingança, honra e redenção.
Realidade não Acadêmica
Embora “Gladiador” seja amplamente reconhecido como uma obra-prima cinematográfica, devido à sua impressionante fotografia, cenários e direção, é importante lembrar que o filme não tem a pretensão de ser um retrato fiel da história romana. O roteiro, carregado de drama e emoção, foi criado principalmente para entreter o público, sem a responsabilidade de servir como uma fonte histórica precisa. Em outras palavras, é um filme, não um trabalho acadêmico.
“Gladiador” foi feito com a consultoria de especialistas em história, muitas licenças criativas foram tomadas para garantir que o enredo fosse envolvente, o que resultou em várias distorções históricas. A produção fez escolhas deliberadas para ignorar ou alterar fatos documentados em nome da narrativa, levando a críticas sobre sua representação anacrônica de roupas, arte, armamento e até táticas militares.
Esse afastamento da realidade histórica gerou descontentamento entre alguns historiadores, com pelo menos um deles deixando o projeto durante as filmagens, enquanto outro se recusou a ser creditado devido às liberdades criativas tomadas.
Apesar de suas imprecisões históricas, “Gladiador” continua a ser um filme altamente recomendável para quem busca uma experiência cinematográfica cativante, repleta de ação e emoção. Contudo, para quem deseja um retrato fiel da história romana, é importante lembrar que o filme deve ser apreciado principalmente como ficção, e não como um estudo preciso sobre o passado.
O General Maximus Não Existe
O filme “Gladiador” apresenta Maximus (Russell Crowe), um general romano que, após ser traído e perder tudo, se torna escravo, luta como gladiador e desafia o império para vingar sua família. Sua jornada é marcada por coragem, lealdade e sede de vingança, enquanto ele tenta derrubar o império de Commodus, o filho do imperador Marcus Auréllius.
Historicamente, Maximus nunca existiu. Ele é um personagem fictício criado para a narrativa do filme. Nos primeiros rascunhos do roteiro, o nome original do personagem principal era Narciso, inspirado no verdadeiro assassino de Commodus, que, na realidade, matou o imperador.
Embora Maximus seja uma invenção, alguns aspectos de sua figura se assemelham a importantes personagens históricos, como Narciso (o verdadeiro assassino de Commodus), Espártaco (líder da revolta dos escravos), Cincinato (um fazendeiro que virou ditador e salvou Roma da invasão), e Marco Nônio Macrino (um general de confiança e amigo de Marco Aurélio). Esses personagens históricos ajudaram a moldar a criação de Maximus, embora ele não seja uma representação direta de nenhum deles.
CURIOSIDADE — Mel Gibson foi originalmente oferecido para o papel de Maximus,
mas recusou. Aos 43 anos na época, ele julgava que estava muito velho para
interpretar um personagem como o general romano. Russell Crowe, com
35 anos, assumiu o papel e entregou um desempenho marcante que se tornaria
uma das mais emblemáticas de sua carreira.
O Saarloos
Na cena de abertura de Gladiador, vemos o general Maximus acompanhado por um cachorro que o segue durante a batalha inicial. Esse momento é carregado de simbologia, com o cão sendo um companheiro leal do protagonista.
Embora esse detalhe tenha sido amplamente notado, ele gerou críticas, já que a raça do cachorro, que lembra um Pastor Alemão, não existia na época. Na verdade, os romanos e gregos utilizavam cães da raça Mastino Napoletano em suas campanhas militares, conhecidos por sua força e habilidade em combate. No entanto, o animal que aparece no filme não é um Pastor Alemão, mas sim um Saarloos, uma espécie de lobo domesticado. Para os romanos, o lobo era considerado um totem, símbolo sagrado e objeto de sorte.
O cão de estimação de Maximus é interpretado por Kyte, uma fêmea da raça Tervuren. A produção do filme não utilizou lobos reais devido às rigorosas leis anti-rábicas na Inglaterra, que impediam a importação desses animais. Curiosamente, Kyte também fez parte de outras produções, incluindo a famosa novela britânica EastEnders (1985).
CURIOSIDADE — a raça Mastino Napoletano é a mesma usada
pelo guarda-caça Hagrid no universo do filme Harry Potter.
Armamento Pesado
Na cena de abertura de Gladiador, somos levados a uma intensa guerra na floresta, onde os romanos enfrentam os bárbaros germânicos. A batalha, marcada pela violência e pela estratégia, é reforçada pelo uso de catapultas e balistas, armas imponentes que disparam projéteis pesados sobre o campo de batalha. Essas armas são exibidas como parte fundamental da luta, dando uma sensação de grandiosidade e destruição.
Na realidade, as balistas e catapultas eram armas pesadas, mas não eram comumente usadas em batalhas de proximidade, como a mostrada no filme, especialmente em terrenos acidentados como florestas. Essas máquinas de guerra eram mais apropriadas para cercos e combates em campo aberto, onde poderiam causar danos a fortalezas ou em grandes confrontos entre exércitos. Seu uso em uma floresta, com árvores e terreno irregular, não seria prática para os exércitos romanos da época. A sequência da batalha levou 20 dias para ser concluída. Gladiador foi filmado durante um período de dezoito semanas.
Na Roma Antiga, as armas de fogo ainda não existiam, e o comando “fogo” é uma anacronia que não se alinha com as batalhas reais. Os soldados romanos usavam armas como arcos, flechas, espadas e machados, e a ordem de ataque seria mais provavelmente relacionada ao lançamento de projéteis ou ao avanço com espadas.
Essa discrepância pode ser um erro de dublagem, já que, na versão original
(inglês) do filme, em vez de “fogo”, o comandante diz “Atear Fogo”,
seguido de “Lançar”, que faz mais sentido em relação ao uso dos arcos e flechas
na época. Embora detalhes como esse possam ser facilmente ignorados, eles fazem
a diferença ao tentar manter a imersão na história.
O Imperador Marcus Auréllius
No filme Gladiador, o Imperador Marcus Auréllius decide nomear o general Maximus como seu sucessor ao trono, em vez de seu próprio filho, Commodus. Essa decisão desencadeia uma luta pelo poder e pela vingança, com Commodus assassinando seu pai e Maximus em busca de justiça.
Na história real, Commodus foi de fato nomeado como sucessor por seu pai, Marcus Auréllius, que não optou por escolher um general ou alguém de fora da família. O personagem de Maximus é inteiramente fictício, criado para o enredo do filme. No entanto, é interessante notar que, na Roma antiga, existia a possibilidade de nomear sucessores que não fossem da família real, algo que foi feito em algumas ocasiões ao longo da história romana.
Em relação ao Imperador Marcus Auréllius, ele foi um dos seis imperadores romanos de origem espanhola, sendo o primeiro deles Trajano, seguido por Adriano. Teodósio I, seu filho Arcádio, e seu neto Teodósio II, também foram imperadores importantes dessa linhagem, com Teodósio II governando o Império Bizantino.
Realidade x Ficção
O filme apresenta uma morte dramática do Imperador Marcus Auréllius, onde seu filho Commodus o estrangula durante um abraço. Contudo, na história real, o imperador faleceu aos 59 anos em 180 d.C., na Germânia, devido à Peste e, após sua morte, Commodus (aos 19 anos) ascendeu ao trono.
Na época de sua morte, Marcus Auréllius estava acampado em uma cidade, não em uma tenda no campo de batalha. Ele é lembrado como o último dos “Cinco Bons Imperadores”, período de relativa paz e prosperidade conhecida como a “Pax Romana”.
Marcus Auréllius era amplamente respeitado pelo exército e pelas classes mais baixas, sendo considerado um dos “Cinco Bons Imperadores”. No entanto, Commodus, seu filho, foi um péssimo governante devido ao seu comportamento egocêntrico, afastando-se do legado de seu pai e gerando grande desaprovação.
No filme, o personagem Graccus pergunta a Commodus se ele alguma vez
“já abraçou alguma vítima da peste”. Essas diferenças entre o filme e a história
real mostram como Gladiador mistura elementos históricos com ficção, criando um
drama poderoso, mas que não deve ser considerado como um retrato fiel dos
acontecimentos da Roma Antiga.
Tiujillo ou Trujillo
A descrição feita por Maximus sobre sua casa no filme Gladiador — como a cozinha é organizada e o cheiro que emana de manhã e à noite — foi uma improvisação de Russell Crowe, baseada em sua própria experiência pessoal. Ele descreveu, de maneira espontânea, como ele imaginava que sua casa na Austrália seria, dando ao personagem uma sensação mais autêntica e intimista.
Já a menção de Maximus sobre sua casa nas colinas, o local onde ele afirma viver, corresponde a Trujillo, uma cidade situada no sudoeste da Espanha, perto de Madrid, e não a uma localização romana, como pode sugerir o filme. Em tempo, os estúdios de dublagem do filme erraram ao escrever “Tiujillo” na legenda, o correto é “Trujillo”.
A Velha Infância
No filme Gladiador, Commodus mata seu pai, o imperador Marcus Auréllius, para assumir o trono de Roma. A trama retrata o personagem como um assassino que, com a morte de seu pai, se torna o novo imperador, desencadeando uma luta por poder e vingança. O filme também o retrata na forma adulta.
Historicamente, a morte de Marcus Auréllius não foi causada por Commodus. Na realidade, o imperador morreu em 180 d.C. de causas naturais, provavelmente devido à peste. Commodus, seu filho, tinha 18 anos quando ascendeu ao trono após a morte de seu pai. Ao contrário do filme, ele não estava na fase adulta quando foi indicado ao trono pelo pai.
Lúcius Vero
Durante uma conversa entre Commodus e o pequeno Lúcius Vero no Coliseu, o filme apresenta um momento em que Commodus questiona se Maximus é Heitor renascido ou, possivelmente, Hércules.
Esse detalhe tem uma base na realidade histórica, já que o verdadeiro Commodus acreditava ser a reencarnação de Hércules, uma crença que ele manifestou ao longo de seu reinado. Commodus se via como um herói divino, com uma conexão direta com o semideus Hércules, o que influenciou sua imagem e comportamento durante seu governo.
Em relação a Lúcius Vero, retratado como criança no filme, ele era de fato filho de um irmão adotivo de Marcus Auréllius. Lúcius Vero foi co-imperador com Commodus por um período, mas morreu oito anos após o início de seu reinado, em 169 d.C. A escolha de Commodus como co-imperador foi feita quando ele tinha apenas cinco anos, e até mesmo moedas com a sua imagem foram emitidas para marcar sua ascensão ao poder.
Contudo, no universo fictício de Gladiador, Lucius Vero retorna na fase adulta em “Gladiador 2”, interpretado por Paul Mescal e, cursiosamente é apresentado como filho de Maximus.
A Batalha de Cartago
A primeira luta do Coliseu, mostrada no filme, chamada “Batalha de Cartago”, é
uma dramatização de uma vitória romana sobre os bárbaros, especificamente a
horda comandada por Aníbal, o famoso líder militar cartaginês. Coincidentemente,
o próximo filme de Ridley Scott após Gladiador foi Hannibal (2001),
uma obra também ligada à figura histórica de Aníbal, o que cria uma conexão
temática entre os filmes do diretor.
Uma Morte Sem Glória
No épico filme Gladiador, o Imperador Commodus (interpretado por Joaquin Phoenix) se vê diante do corajoso gladiador Maximus (Russell Crowe) na arena do Coliseu. Em uma luta mortal, Maximus consegue derrotar Commodus, vingando a família que o imperador havia mandado assassinar. Essa cena se tornou um dos momentos mais intensos e emblemáticos da história do cinema, com Maximus finalmente alcançando sua tão esperada justiça.
No entanto, a história real do Imperador Commodus foi bem diferente. Commodus foi assassinado por seu próprio gladiador, Narcissus. Durante um banho, Narcissus estrangulou o imperador, pondo fim ao seu reinado. Ao contrário do filme, Commodus não teve um combate épico com um herói, mas uma morte traiçoeira, sem a glória de um duelo de vida ou morte na arena.
Durante as gravações de Gladiador, Joaquin Phoenix, que interpretava Commodus, estava extremamente nervoso antes das cenas de confronto com Russell Crowe. Para ajudar a aliviar a tensão, Phoenix pediu a Crowe que o agredisse fisicamente antes da filmagem. Crowe, surpreso com o pedido, procurou conselhos de Richard Harris, que interpretava o sábio Marcus Auréllius. Ao ouvir a situação, Harris respondeu com simplicidade: “Vamos deixá-lo chateado.” Com o tempo, e após alguns copos de Guinness (cerveja irlandesa), Crowe e Harris ajudaram Phoenix a superar seu nervosismo e a entrar no personagem.
Uma Fusão de Idiomas
Em Gladiador, muitas palavras vistas nas placas e em inscrições não são em latim puro, mas uma mistura de línguas, com destaque para o italiano. Essa escolha estilística pode ser notada em diversos momentos do filme, criando um efeito que se distancia da realidade histórica da Roma Antiga, misturando a cultura romana com elementos modernos. A fusão de idiomas, como o italiano com o latim, evoca uma sensação de temporalidade ambígua, misturando a República Romana com o Império Romano e até mesmo com o renascimento italiano.
Na Roma antiga, o latim e o grego eram as línguas mais comuns, sendo o latim usado principalmente na administração e no direito, e o grego predominante na cultura intelectual e filosófica. Contudo, no filme, não apenas o latim é apresentado, mas também há uma mistura de palavras de origem italiana, além de outras línguas, como o alemão e o zulu, que aparecem nas falas de certos personagens, como o chefe bárbaro e o guerreiro germânico. Esse uso de diversos idiomas, incluindo o inglês moderno para a maior parte do elenco, levanta a questão: seria um erro intencional ou uma escolha estilística, incorporando elementos modernos e históricos?
Isso levanta a questão de como o filme lida com a questão da verossimilhança histórica, misturando convenções cinematográficas modernas com os elementos do passado. Essa mistura de idiomas e sotaques, mais do que um erro, pode ser vista como uma forma de traduzir a complexidade histórica para o público contemporâneo, equilibrando a fidelidade com a narrativa ficcional.
O Coliseu
No filme Gladiador, as lutas no Coliseu são impressionantes e bem retratadas, com cenas de combate intensas e realistas que capturam a brutalidade e a grandiosidade dos jogos de gladiadores. A arena se torna o palco de confrontos épicos, onde o gladiador Maximus luta pela sobrevivência e busca sua vingança. A maneira como a arena é apresentada, com seus combates e a multidão vibrante, transmite a sensação de um ambiente autêntico e imersivo, dando vida ao espírito do antigo Coliseu romano.
Para recriar essa icônica arena no filme, uma réplica do Coliseu foi construída nas areias do Marrocos, onde as cenas foram filmadas. Como parte da produção, muitos dos animais usados nas lutas foram emprestados do zoológico de Rabat, no Marrocos, como forma de contornar as restrições rigorosas de importação de animais no país. A equipe usou materiais básicos e técnicas locais para construir a arena, um espaço impressionante de tijolos de barro com capacidade para trinta mil pessoas, projetada para retratar o local com a maior fidelidade possível.
Durante uma visita ao verdadeiro Coliseu em Roma, o diretor do filme, Ridley Scott, comentou que o local era “muito pequeno” em comparação com a grandiosidade que imaginava para o filme. Isso levou à criação de uma enorme versão “imaginária” de Roma, inspirada não apenas em pintores românticos ingleses e franceses, mas também no trabalho do arquiteto nazista Albert Speer.
Essa versão idealizada do Coliseu foi então construída em Fort Ricasoli, em Malta, onde uma réplica de um terço do tamanho original foi erguida, com 16 metros de altura. Os outros dois terços da estrutura e a altura restante foram adicionados digitalmente, criando uma imersão ainda mais grandiosa.
A réplica, que custou cerca de US$ 1 milhão e levou meses para ser concluída,
foi complementada com móveis urbanos, estátuas e mercados, todos feitos com
detalhes que remetessem à Roma Antiga. Para dar vida à multidão nas cenas, os
dois decks inferiores da arena foram realmente preenchidos por
figurantes, enquanto o restante do público foi animado digitalmente ou
representado por recortes de papelão, uma combinação de técnicas de filmagem
tradicionais e computação gráfica para criar a imersão necessária.
Ludus Magnus
Em Gladiador, quando os gladiadores, incluindo Maximus, chegam a Roma, eles são levados a uma área de espera com as palavras “LUDUS MAGNUS” escritas acima do portão. Este “Ludus”, que significa escola de gladiadores ou centro de treinamento, é um lugar real, e suas ruínas ainda podem ser vistas hoje, a leste do Coliseu, em Roma.
O Ludus estava conectado aos labirintos subterrâneos abaixo da arena por
um túnel, servindo como a prisão e local de treinamento para os gladiadores. No
entanto, no filme, o personagem Proximo não é identificado como um
lanista (treinador de gladiadores), profissão que historicamente era
responsável pela gestão desses locais e treinamento dos lutadores.
O Tigre
Uma
das cenas mais memoráveis do filme é quando Maximus enfrenta o tigre, o Gálico,
na arena. Para filmar essa sequência, cinco tigres foram usados, e um
veterinário armado com dardos tranquilizantes estava presente durante toda a
filmagem. Por motivos de segurança, Russell Crowe foi mantido a pelo menos 4,5
metros de distância dos tigres. Para aumentar o realismo da cena, os tigres
entram na arena através de alçapões no chão de madeira, um mecanismo que também
era usado no Coliseu real. Em algumas cenas, os gladiadores sobem ao chão da
arena por uma espécie de elevador, também utilizado na Roma Antiga por guinchos
e polias.
SPQR
Outra
curiosidade do filme está na tatuagem de Maximus, que exibe a inscrição
"SPQR", uma sigla para Senatus Populusque Romanus, que se traduz como
"O Senado e o Povo Romano", um dos principais slogans de Roma que
perdurou por séculos e ainda pode ser visto em tempos modernos nas tampas de
bueiros.
Argento e Scatto
Além
disso, o nome dos cavalos de Maximus, "Argento" e "Scatto",
não são apenas nomes quaisquer. "Argento" significa
"prata", e "Scatto" se refere a uma "trava
mecânica" ou "gatilho", uma referência ao "Silver" (o
cavalo do Lone Ranger) e "Trigger" (o cavalo de Roy Rogers), algo que
foi explicado pelos próprios Ridley Scott e Russell Crowe em seus comentários.
Polegar
Uma
discrepância popular sobre os gladiadores é o gesto do polegar. Embora seja
amplamente aceito que o polegar para cima significava misericórdia, na
realidade romana o polegar para cima simbolizava a ação de espada, ou seja, a
morte do gladiador. O polegar para baixo representava o oposto, simbolizando a
misericórdia. No filme, essa convenção foi modificada para evitar confundir o
público moderno, já que o polegar para cima é atualmente visto como um sinal
positivo.
Piedoso
No
filme, Joaquin Phoenix improvisou o grito de Commodus, "Eu não sou piedoso?",
e a reação genuína de Connie Nielsen foi de medo, uma resposta que não foi
antecipada pela atriz.
Commodus no Coliseu
No
entanto, é importante observar que Commodus, de fato, lutou no Anfiteatro
Flaviano, ou Coliseu, mas ao contrário do filme, ele se vestia como Hércules e
se apresentava com a representação do cocar do leão da Neméia, que Hércules
matou. Commodus chegou a lutar cerca de 700 vezes no anfiteatro, utilizando
armas reais, enquanto seus oponentes lutavam com armas de madeira, uma exibição
de poder e autoridade que reflete o comportamento do imperador na vida real.
Espanhol
Por
fim, um erro histórico notável no filme é o uso do termo "espanhol",
já que, na Roma Antiga, não existia o conceito de "Espanha" ou
"espanhol". O nome "Espanha" só surgiu com os visigodos, e
os romanos chamavam a região de "Ibéria". Esse é um pequeno detalhe
geográfico, mas que evidencia como o filme mistura elementos modernos e antigos
para contar sua história épica.
O Complô
No filme Gladiador, Lucila — irmã do imperador Commodus — se envolve em uma conspiração para assassinar o próprio irmão. O plano é descoberto, Commodus consegue se manter no poder e, no desfecho da obra, acaba morto por Maximus no Coliseu. Após a morte do imperador, Lucila aparece para dialogar com o general, simbolizando a queda do regime tirânico. Na realidade histórica, Lucila de fato participou de uma conspiração contra Commodus. O complô fracassou, e o imperador reagiu com severidade: como punição, baniu a irmã para a ilha italiana de Capri. Tempos depois, Commodus enviou um centurião até o local, que acabou executando Lucila, encerrando de forma trágica sua história.
Pela Mesma Adaga
Segundo
o diretor Ridley Scott, a adaga escondida que Commodus retira da manga durante
o duelo final — e que acaba sendo dominada por Maximus e usada para matá-lo — é
a mesma arma com a qual o imperador havia esfaqueado Maximus de forma
clandestina antes do combate. Dessa forma, ambos acabam mortos pela mesma
adaga, reforçando o simbolismo do desfecho.
Connie Nielsen (Lucila)
Connie
Nielsen encontrou o anel de sinete de cerca de 2.000 anos que utiliza no filme
em uma loja de antiguidades. Além disso, a atriz revelou-se uma fonte
surpreendente de conhecimento sobre a história romana. Fascinada pelo período,
ela era frequentemente consultada pela equipe de produção para esclarecer
detalhes históricos e garantir maior precisão nas cenas.
A Mão no Trigo
Na
cena icônica em que Maximus passa a mão pelos talos de trigo, a mão mostrada em
cena não é a de Russell Crowe, mas sim a de seu dublê, Stuart Clark (creditado
como Stuart Clarke).
Fora da Tela
A
atriz Giannina Facio, que interpreta a esposa de Maximus no filme, casou-se na
vida real com o diretor Ridley Scott em 2015.
Aos Pés de Nero
Um
pé gigante de uma estátua aparece na cena em que Próximo (Oliver Reed) chega a
Roma. O mesmo detalhe volta a surgir mais adiante, quando Cícero (Tommy
Flanagan) aguarda para falar com Lucila (Connie Nielsen) do lado de fora do
Coliseu.
A
estátua representada é, muito provavelmente, o Colosso de Nero — uma imponente
escultura de bronze com cerca de noventa e oito pés (aproximadamente trinta
metros de altura), erguida pelo imperador Nero à sua própria semelhança.
Curiosamente, ela nem sempre esteve localizada próxima ao Coliseu: foi
transferida para lá anos após sua criação e, ao que tudo indica, acabou dando
origem ao nome popular do estádio, oficialmente conhecido como Anfiteatro
Flaviano.
Décadas
depois, o imperador Commodus mandou modificar a estátua, substituindo a cabeça
original pela de Hércules. Após sua morte, no entanto, o monumento foi
restaurado à forma anterior. Com o passar do tempo, o Colosso teria sido
destruído ou saqueado em decorrência de terremotos ou invasões bárbaras,
restando apenas o pedestal.
No filme, o restante da estátua não é mostrado, provavelmente porque não existe uma representação visual precisa que tenha sobrevivido até os dias atuais.
O CGI em Gladiador
Oliver
Reed, intérprete de Próximo em Gladiador, faleceu após sofrer um ataque
cardíaco quando cerca de metade de suas cenas já havia sido filmada. Com
autorização da família, a produção optou por recriar o ator digitalmente para
concluir sua participação, utilizando dublês de corpo e efeitos de CGI.
Inicialmente,
o roteiro previa um confronto entre Máximo e Próximo no Coliseu, mas a morte de
Reed, ocorrida três semanas antes do fim das filmagens, exigiu uma reescrita.
Apesar de o seguro permitir a refilmagem completa do personagem com outro ator,
Ridley Scott decidiu preservar a atuação original, evitando ainda mais desgaste
da equipe.
A empresa britânica de pós-produção The Mill ficou responsável pelos efeitos visuais, incluindo a criação do dublê digital de Oliver Reed, além de cenas com tigres, multidões ampliadas por CGI e outros aprimoramentos visuais que deram ao personagem um desfecho coerente dentro da narrativa.
































































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