Por Edson Souza
Há descobertas que não cabem em palavras. Algumas estão escondidas nas pedras, outras nas páginas de livros antigos; e foi numa dessas buscas despretensiosas, quase como quem zapeia os canais da vida, que tudo começou.
Uma noite qualquer, um filme qualquer: Viagem ao Centro da Terra 2 – A Ilha Misteriosa. A escolha, aleatória; mas o enredo, baseado livremente nas ideias de Júlio Verne, deixou uma sensação curiosa — e se, por acaso, também houvesse caminhos ocultos por aqui, em nossa própria ilha?
De repente, a ficção virou ponto de partida para uma nova investigação. Afinal, o litoral norte está repleto de “Julios Vernes” que já registraram mistérios, lendas e sinais em suas páginas. Um deles, Cícero Buark, que publicou em 1986 o livro “Ilhabela e Seus Enigmas”, hoje uma raridade literária — e um verdadeiro mapa para quem gosta de cruzar literatura e campo.
Inspirados em suas descrições, refizemos trechos da jornada narrada por Buark, e sim — encontramos o que ele descreveu. Na página 30, a “pedra da gota”, como se tivesse caído do céu, repousa ainda hoje na Siriúba, próxima ao início da trilha da Cachoeira da Friagem. No entanto, o cenário do livro pra cá já sofreu alterações.
Na página 29, as pedras ovaladas de simetria milimétrica, mencionadas no livro, surgem discretas ao longo das trilhas que levam ao Buraco do Cação, no sul da ilha.
E na página 22, a pedra em forma de pirâmide — intacta, soberana — continua na Praia do Gato, região dos Castelhanos. Coincidência? Ou há algo mais entre os escritos e a realidade?
Por enquanto, podemos apenas afirmar que a literatura continua sendo uma bússola precisa — basta saber ler seus sinais; e que o livro de Cícero Buark, mais do que uma obra, é um convite a percorrer a Ilha com outros olhos.
Quem sabe o que ainda repousa escondido sob o solo, entre as matas ou nas páginas amareladas de uma edição antiga? Talvez um dia, com um pouco mais de ousadia e coragem, a gente fale sobre o que parece se conectar ao lendário “Tesouro do Sombrio”... ou a outros achados que o tempo ainda não revelou (por medo).
Até lá, seguimos lendo — e escutando o que as palavras têm a dizer... Está tudo lá. Nos livros. Especialmente, nas entrelinhas.















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