Por Edson Souza
Produzido em 1976, A Ilha das Cangaceiras Virgens integra o conjunto de obras do cinema brasileiro popular da época. Apesar do título sugestivo, o filme não se caracteriza por cenas explícitas. Trata-se de uma comédia de aventura dirigida por Roberto Mauro, que, embora não seja considerada uma grande produção de sua filmografia, destaca-se pela valorização dos cenários naturais de Ilhabela, então marcados por praias preservadas e vegetação exuberante.
As filmagens registram importantes paisagens e espaços urbanos da ilha, compondo hoje um valioso documento histórico. Entre os locais retratados estão a travessia marítima realizada pela lancha da Companhia Santense de Navegação, no píer da Vila; o antigo ônibus que fazia o trajeto da Barra Velha à Vila; o casarão da Fazenda Barreiros; a Praia do Viana; a antiga Cadeia e Fórum; a Praça Coronel Julião; o Esporte Clube Ilhabela; o Cemitério Municipal; o Morro do Cantagalo; a Praia das Pedras do Sino e a Siriúba.
- Sinopse
- Ambientada em Ilhabela, a narrativa acompanha um grupo de moças que administra o Hotel “Come Quieto”, localizado na região da Fazenda Barreiros. O cotidiano tranquilo é interrompido pela chegada do cangaceiro Ferreirão e seu bando, que passam a ameaçar a ordem local. Após uma tragédia que abala os moradores, as jovens se organizam, recebem autorização das autoridades locais e assumem a missão de enfrentar os invasores, dando início a uma sequência de conflitos e reviravoltas até o desfecho da história.
A equipe do Arquivo Ilhabela entrevistou Dorival Saran, conhecido como Dori ou “Papai Noel”, que participou do filme como figurante. Ele gentilmente compartilhou fotografias de bastidores que hoje integram o acervo histórico do Impacto Litoral Norte SP, além de revelar a participação do artista plástico Gilmar Pinna no elenco.
Os papéis dos cangaceiros foram interpretados majoritariamente por atores e figurantes locais, incluindo pescadores, artesãos e moradores da ilha, cuja presença conferiu maior autenticidade às cenas e reforçou a identidade cultural da produção.
Inserido no contexto das produções da chamada Boca do Lixo, A Ilha das Cangaceiras Virgens tornou-se um registro significativo de uma fase do cinema nacional, evidenciando a criatividade de seus realizadores e a capacidade de transformar Ilhabela em cenário de uma narrativa ficcional, preservando, ao mesmo tempo, imagens valiosas de seu patrimônio natural, urbano e humano.































































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