Por Edson Souza
Hemeroteca do Arquivo Ilhabela® // Foto: Ilustração IA.
Memória que navega no tempo
Entre recortes de jornal e lembranças quase inacreditáveis, a história de Ilhabela revela episódios que hoje parecem desafiadores até para a imaginação. Reportagens publicadas nos anos 1980 atestam um feito impressionante: a balsa Valda II, a mesma que por décadas realiza a travessia entre Ilhabela e São Sebastião, chegou até a Praia do Bonete para apoiar ações do Governo do Estado na abertura de trilhas e estradas.
À época, o objetivo era claro: levar máquinas, equipamentos e suprimentos para iniciar a ligação terrestre entre comunidades isoladas do sul da ilha. O desafio, porém, era enorme. O Bonete — que ainda hoje só pode ser acessado por trilha ou barco — já era conhecido pelas condições severas do mar, frequentemente difíceis até para pequenas embarcações. A balsa não conseguiu atracar diretamente na praia; por isso, o desembarque do equipamento ocorreu na praia vizinha, Indaiaúba, de onde os trabalhos seguiram mata adentro.
É inevitável imaginar como foi possível. Hoje, a travessia regular Ilhabela–São Sebastião é suspensa em dias de ventos fortes e mar agitado. Ainda assim, há pouco mais de quatro décadas, uma balsa de grande porte enfrentou o litoral exposto do sul da ilha, levando consigo máquinas pesadas, tratores, escavadeiras e a promessa de integração.
Mais do que uma curiosidade, esse episódio é um retrato do tempo, das escolhas e da coragem técnica de uma época em que o isolamento era combatido com engenhosidade e esforço coletivo. Um capítulo fascinante da história caiçara, que nos convida a refletir sobre o passado, o presente e os caminhos — terrestres ou marítimos — que moldaram Ilhabela.












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