Por Edson Souza
É memória. É sentimento. É apenas uma imagem — gerada por inteligência artificial a partir da releitura de uma fotografia original — mas que traduz, com delicadeza, a serenidade da antiga Villa Bella da Princeza, hoje Ilhabela.
Essa imagem despertou em mim a lembrança de um trecho marcante da entrevista de Carlos Telles Corrêa, ex-proprietário da Casa da Princesa (atual Câmara Municipal de Ilhabela). Ele recordava a chegada de sua família à ilha:
“Lá em Santos, onde morávamos, a cidade começou a ficar movimentada com o progresso. Papai, Aníbal Telles Corrêa, buscava um lugar mais calmo para vivermos. Um amigo, Rodolfo Tabira, sugeriu que conhecesse a Ilha de São Sebastião, então Villa Bella.
Atravessaram o canal à noite, em uma canoa. Chovia muito, estava tudo escuro, não havia energia elétrica. A ilha parecia invisível. Hospedaram-se no Hotel Fazzini, em frente à praia onde desembarcaram. Meu pai foi dormir imaginando como um lugar tão distante poderia ser bom para morar…
A mágica aconteceu pela manhã. Ele acordou com o canto dos pássaros, viu um raio de luz atravessando as janelas de madeira, abriu-as e se encantou. A ilha era verde, viva, cheia de pássaros, árvores floridas e frutos. Ele fechou os olhos, respirou fundo… A ilha tinha cheiro de flores.”
Naquele tempo, ruas de barro, silêncio, patos e galinhas soltos nos quintais, respeito entre as pessoas. Uma forma de viver que hoje parece distante. Talvez por isso faltem palavras para explicar o que se perdeu — porque a essência do presente também transformou nossos pensamentos.
Para compreender essa distância e o valor da preservação, deixo uma sugestão: assistam ao filme “A Praia”, com Leonardo DiCaprio. Ele se aproxima da mensagem que, muitas vezes, não consigo expressar em palavras.
Preservar é compreender o que nos trouxe até aqui.









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