Reportagem: Edson Souza
Quando os motéis já faziam parte dos planos para a ilha --- Muito antes das transformações urbanas e turísticas que conhecemos hoje, Ilhabela já figurava em planos estruturados de desenvolvimento turístico. Este documento, datado de 25 de março de 1960, revela um capítulo pouco conhecido da nossa história.
Na carta enviada ao então prefeito Mariano Procópio de Araújo Carvalho, o empresário Arthur B. Audra apresenta um amplo projeto de organização turística que previa a construção de vários motéis em Ilhabela. O primeiro deles seria o Motel Riviera, planejado para um terreno à beira-mar, entre o clube local e o tradicional restaurante “Fandango”.
O texto deixa claro o diálogo entre iniciativa privada e poder público, solicitando apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal para viabilizar o empreendimento, com a expectativa de inauguração ainda naquele mesmo ano de 1960. O documento também menciona estudos para a construção de uma nova unidade por ano, mostrando o otimismo em relação ao futuro da ilha.
Hoje, esse registro ganha ainda mais relevância. Ele ajuda a compreender como a cidade já era vista, há mais de seis décadas, como um território estratégico para o turismo, planejado dentro de uma lógica de crescimento e modernização.
Ressalta-se que, em Ilhabela, as obras do antigo Hotel (ou Motel) Riviera chegaram a ser embargadas pela Capitania dos Portos. O impasse estava relacionado à ausência de pagamento da taxa de ocupação de terreno de marinha, cuja cobrança competia ao SPU – Serviço do Patrimônio da União. Para que a taxa pudesse ser devidamente exigida, era necessária a demarcação oficial da faixa de marinha, procedimento que dependia da presença de um engenheiro do órgão federal na ilha. Tal vistoria, contudo, não ocorreu, motivo pelo qual o embargo foi mantido.
Diante dessa situação, uma nova correspondência, assinada por Arthur B. Audra, foi encaminhada ao prefeito de Ilhabela em julho daquele mesmo ano, solicitando sua intervenção junto à Capitania dos Portos, com o objetivo de acelerar os trâmites junto ao SPU.
Não há, entretanto, muitos registros que confirmem a efetiva conclusão do Motel em Ilhabela. Nesse contexto, chama atenção o fato de que, nesse mesmo período, Arthur B. Audra construiu o Cigarras Praia Hotel, no município de São Sebastião. Teria ele transferido o projeto para outra localidade?
Vale ainda destacar a existência da empresa “SEREIA – Serviços e Empreendimentos do Litoral”, responsável pela organização e fomento do turismo regional. Em documentos da época, aparecem vinculados a essa iniciativa os nomes de São Sebastião, Ilhabela e Praia das Cigarras, reforçando a ideia de um planejamento turístico integrado para o litoral norte paulista.
Documentos como este preservam não apenas fatos, mas as intenções, sonhos e projetos que ajudaram a moldar a história de Ilhabela.









Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.