Reportagem por Edson Souza
Do Píer ao Altar: Um Casamento em Ilhabela no ano de 1956. Quando o barco era a carruagem dos noivos. Esses registros de 1956 revelam muito mais do que a celebração de uma união: são um retrato vivo dos costumes, da paisagem urbana e da sociabilidade em Ilhabela em meados do século XX.
Nas imagens, os noivos Alicinio de Souza Cruz e Maria de Lurdes Souza surgem elegantemente trajados no píer da Vila, onde então funcionava o tradicional restaurante Arco do Triunfo — ponto de referência para moradores e visitantes em uma época em que a ilha ainda mantinha forte ligação com o transporte marítimo.
Ela, com véu, grinalda e buquê delicado; ele, de terno escuro com calça listrada e plastrom, acessório típico das cerimônias formais daquele período. Ao redor, padrinhos, parentes e convidados acompanham o casal, compondo uma cena de clara importância comunitária.
Em vez do automóvel ornamentado comum nos grandes centros urbanos, o cortejo nupcial segue em um barco rústico, símbolo da realidade caiçara e da relação cotidiana dos ilhabelenses com o mar. A embarcação não apenas transporta os recém-casados, mas representa o próprio modo de vida da ilha, onde o mar era estrada, sustento e elo entre as pessoas.
Após a cerimônia, os noivos caminham pelas ruas da Vila, celebrados pela comunidade, em um percurso que evoca a tradicional marcha nupcial — ainda que apenas imaginada — e reforça o caráter coletivo das festas de então, quando eventos familiares se tornavam acontecimentos sociais.
Esse casamento, além de marcar a história pessoal de Alcindo e Maria de Lurdes, preserva um fragmento precioso da memória de Ilhabela: uma época de simplicidade elegante, forte convivência comunitária e profunda conexão com o território. São imagens que ajudam a compreender como se celebrava o amor, a família e a vida na ilha há quase sete décadas — um patrimônio afetivo e cultural que atravessa gerações.















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