Reportagem por Edson Souza
Com apenas 10 marcos no bolso e um livro de português, Frederico Guilherme Scheidt desembarcou no Porto de Santos, em 1927. Especialista em algodão, acreditava encontrar no Brasil melhores oportunidades do que na Alemanha, que à época enfrentava grave crise econômica e elevado índice de desemprego.
Nascido em 1903, na cidade de Worms, Alemanha, Scheidt demonstrou desde cedo interesse pelas artes. Estabeleceu-se definitivamente no Brasil, casando-se em 1928. Durante muitos anos, dedicou-se à pintura como atividade paralela, exercida nas horas vagas. Contudo, a arte tornou-se uma necessidade essencial em sua vida. Em 1960, após adquirir uma antiga casa colonial em Ilhabela, afastou-se das atividades comerciais para dedicar-se integralmente à pintura.
Ao lado de sua esposa, Hilda, fixou residência na ilha, no bairro do Saco da Capela, em frente ao atual Sea Club. O casal vivia de forma tranquila, raramente deixando Ilhabela, e recebia com frequência a visita de filhos e netos vindos de São Paulo.
Autodidata, Scheidt nunca frequentou escolas formais de arte. Sua produção retratou, com sensibilidade e traços marcantes, as antigas cidades coloniais do litoral norte paulista, como Ilhabela e Ubatuba. Também registrou em suas telas o Mercado Velho de Santo Amaro (atual Mercado Municipal) e paisagens urbanas de Paraty. Suas obras destacavam-se pela simplicidade do estilo e pela utilização de cores quentes, características que rapidamente conquistaram reconhecimento.
Ao longo de sua trajetória, participou de diversas exposições individuais e coletivas, incluindo mostras na Galeria de Arte San Marcos, no Salão Paulista de Belas Artes, no Salão de Belas Artes de Piracicaba, no Ginásio Humboldt, na Kolpingwerk e no City Bank. Em uma de suas participações no Salão Paulista de Belas Artes, foi agraciado com prêmio honorário.
Naquele período, uma exposição permanente de suas obras podia ser visitada em seus ateliês localizados na Rua Santos Dumont, em São Paulo, e na Avenida Pedro de Paula Moraes, em Ilhabela.











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