Por Edson Souza
Houve um tempo em que a Vila parecia caber inteira dentro de uma tarde tranquila. As ruas de pedra guardavam passos conhecidos. Pessoas caminhavam sem pressa, atravessavam a rua no meio da conversa, enquanto carros antigos repousavam nas laterais como parte natural da paisagem.
As bandeirinhas coloridas dançavam sobre a rua, anunciando festas, encontros, dias simples que se transformavam em memória sem que ninguém percebesse. As fachadas tinham cores suaves, portas abertas, janelas que observavam o movimento da vida cotidiana. Cada pequeno comércio, cada placa, cada banco na calçada era parte de uma história compartilhada entre moradores, visitantes e gerações.
Ali, diante do mar, a igreja observava tudo em silêncio — como se fosse guardiã do tempo. Das canoas antigas às primeiras lojas, das conversas de fim de tarde às noites iluminadas por luzes amarelas, a Vila crescia sem perder a delicadeza de um lugar onde todos pareciam se conhecer.
Hoje, muita coisa mudou. As ruas ficaram mais movimentadas, as vozes mais apressadas; mas quem olha uma fotografia antiga ainda consegue sentir algo difícil de explicar.
Talvez seja o vento que continua soprando da baía... Talvez seja o eco distante do sino da igreja, ou talvez seja apenas a certeza de que a Vila de ontem nunca foi embora — ela continua viva na memória de quem a viveu. Porque certos lugares não existem apenas no mapa. Eles existem dentro da gente.



























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