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4.6.26

As Telhas de Coxa na Fazenda em Ilhabela– Parte 12 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Encontrar essas telhas de barro confirma, de uma vez por todas, o teto e o fechamento da estrutura que mapeamos neste cenário. Analisando a paisagem, o formato, a espessura e a textura dessas peças revelam segredos incríveis sobre o passado dessa fazenda em Ilhabela:

1. As Legítimas "Telhas de Coxa" (ou Telhas Canal)

As telhas longas, cônicas e bem curvadas apoiada contra o muro de pedra seca, pertencem ao modelo semicilíndrico, ou seja, é o clássico padrão colonial/imperial brasileiro.

Historicamente, elas ficaram conhecidas popularmente como "telhas feitas na coxa". Embora exista o mito de que eram moldadas diretamente nas pernas de trabalhadores escravizados (gerando tamanhos diferentes), a realidade técnica é que elas eram moldadas em formas de madeira convexas feitas para aparar o barro. No entanto, o trabalho braçal de bater o barro, moldar e queimar essas peças nos fornos das olarias locais era inteiramente realizado pela mão de obra escravizada das fazendas.

2. A Textura Espessa e Artesanal

Diferente das telhas industriais modernas, repare como a espessura do barro é grossa, irregular e rústica. A presença de pequenos pedregulhos e impurezas misturados à argila (visíveis nas bordas quebradas) mostra que o barro era coletado ali mesmo na região — possivelmente em algum barreiro próximo aos rios de Ilhabela — e queimado de forma artesanal.

3. Por que elas estão espalhadas no chão?

Quando o telhado de uma casa antiga de taipa desaba após o abandono, acontece exatamente o que registramos:

  • As madeiras que sustentavam o teto (caibros e linhas) apodrecem com a umidade da Mata Atlântica e caem.
  • Ao caírem, as telhas pesadas de barro despencam e se acumulam ao redor do alicerce de pedra.
  • Com o passar dos séculos, a serapilheira (folhas secas) e o crescimento de musgos (como o tom esverdeado que vemos na base da telha) cobrem a maior parte delas, deixando apenas algumas expostas, como jóias do passado esperando para contar a história.

Agora o quebra-cabeça está 100% completo!

  1. Os muros periféricos.
  2. A escada nobre de acesso e o alicerce retangular.
  3. E agora, os restos do telhado colonial que cobria essa edificação.

Esse conjunto de telhas prova que a estrutura não era apenas um curral ou um muro de contenção de terra; era uma construção coberta de grande porte — reafirmando a teoria de ser a casa sede, a tulha de armazenamento de café ou um engenho protegido.

Aqui nós tivemos a oportunidade de apreciar em um pedaço tangível do Brasil do século XIX que a floresta protegeu!

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