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Mostrando postagens com marcador arqueologia. Mostrar todas as postagens
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5.6.26

Estudo de Campo em Área Histórica de Ilhabela

Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Meio Ambiente de Ilhabela

Em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e em consonância com os princípios de valorização do patrimônio natural e da paisagem cultural, a equipe do Arquivo Ilhabela® realizou uma atividade de observação e registro de campo em uma área de interesse histórico e ambiental localizada no município de Ilhabela.

A visita ocorreu a convite de moradores da região, com finalidade exclusivamente educativa e científica, voltada à observação da interação entre elementos naturais e vestígios materiais presentes na paisagem. A atividade não teve caráter turístico, comercial ou recreativo, tampouco envolveu qualquer intervenção física no local.

4.6.26

As Telhas de Coxa na Fazenda em Ilhabela– Parte 12 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Encontrar essas telhas de barro confirma, de uma vez por todas, o teto e o fechamento da estrutura que mapeamos neste cenário. Analisando a paisagem, o formato, a espessura e a textura dessas peças revelam segredos incríveis sobre o passado dessa fazenda em Ilhabela:

1. As Legítimas "Telhas de Coxa" (ou Telhas Canal)

As telhas longas, cônicas e bem curvadas apoiada contra o muro de pedra seca, pertencem ao modelo semicilíndrico, ou seja, é o clássico padrão colonial/imperial brasileiro.

Escadaria na Fazenda em Ilhabela – Parte 11 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Aqui a nossa jornada pela trilha atingiu o ápice, quando nos deparamos com um forte indício e a evidência definitiva de uma ruína arquitetônica residencial ou produtiva do século XIX.

Fogão Itacuruba e o Bambuzal na Fazenda em Ilhabela – Parte 10 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Em fotos de mata fechada com muita luz estourando entre as folhas, o relevo e as formas tridimensionais costumam "achatar", camuflando os detalhes na folhagem, mas observando atentamente a imagem, dá para notar perfeitamente a estrutura de pedras empilhadas ali no centro-direito, logo à frente dos caules do bambuzal.

Poço e Área de Convivência na Fazenda em Ilhabela – Parte 9 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Olhando para este cenário, o poço e os arredores carregam marcas muito fortes de intervenção humana associada ao uso doméstico ou de trabalho.

1. O Fundo Esculpido e as Pedras Afastadas

Córregos de Encosta e Caminhos de Pedras na Fazenda em Ilhabela – Parte 8 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Esse é um clássico e límpido córrego de encosta de Mata Atlântica em pleno funcionamento. O cenário na imagem ilustra perfeitamente vários dos conceitos geográficos e ecológicos que fomos juntando ao longo dos registros.O primeiro leito de pedras secas que encontramos no início da caminhada se conecta a uma rede de drenagem parecida com esta; é o tipo de lugar perfeito para lavar o rosto, descansar ouvindo o som da água e recuperar as energias antes de seguir a trilha!

Abrigos Sob Rochas na Fazenda em Ilhabela – Parte 7 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Locais como esse são conhecidos como abrigos sob rocha, são os refúgios mais clássicos usados pelo ser humano ao longo da história. No contexto de Ilhabela e cruzando com as pistas visíveis, existem duas explicações principais para esse teto escurecido e o aspecto habitado:

1. Fumaça de Fogueiras (Fuligem)

Área Agrícola na Fazenda em Ilhabela – Parte 6 de 12

 Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Um ponto sensível nesta caminhada foi quando atingimos essa área agrícola com rochas empilhadas sem polimento. Segundo os informantes locais, possivelmente essas rochas empilhadas ao chão sinalizariam antigos sepultamentos e as estruturas maiores seriam vestígios estruturais da extinta fazenda.

Fenômeno Ecológico na Fazenda em Ilhabela – Parte 5 de 12

Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel



Na Mata Atlântica, a queda de árvores não é apenas um fim, é um ciclo. Esse tronco caído abre uma clareira no dossel (o "teto" da floresta). Isso permite que a luz solar finalmente atinja o chão, possibilitando que algumas mudas que vimos antes na — parte 4 — finalmente cresçam.

Curiosidade: Quando uma árvore cai, ela libera nutrientes no solo à medida que apodrece, alimentando fungos, insetos e, eventualmente, as próximas gerações de árvores.

A Botânica da Fazenda em Ilhabela – Parte 4 de 12

Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Esta planta é uma Eritrina (gênero Erythrina), muito provavelmente a Erythrina speciosa rosada, popularmente conhecida no Brasil como Mulungu, Mulungu-coral ou Suinã.

Matacão ou Boulder da Fazenda em Ilhabela – Parte 3 de 12

Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

A maior parte da Serra do Mar e do litoral paulista é formada pelo embasamento cristalino antigo (composto por rochas metamórficas e ígneas como gnaisses e granitos formados há centenas de anos).

O Leito de Cheia da Fazenda em Ilhabela – Parte 2 de 12

Trabalho realizado por Edson Souza e Giliard Miguel

Especial: Fazenda de Café em Ilhabela

Esse não é apenas um riachinho comum, mas sim o que chamamos de leito de cheia ou um riacho de regime sazonal/intermitente, muito característico da geografia de Ilhabela e da Serra do Mar.

► Pedras roladas e arredondadas: Repare nas pedras grandes onde estamos apoiados e nas que estão ao redor. Elas são visivelmente arredondadas e têm superfícies lisas. Esse formato não é natural da rocha original; ele é esculpido pelo processo de abrasão, que só acontece quando um volume considerável de água corre com força, arrastando sedimentos e "lixando" as pedras ao longo dos anos.

23.8.19

Sítios Concheiros no Litoral Norte de São Paulo: Contexto e Diferenças em Relação aos Sambaquis

 Por Edson Souza

As primeiras ocupações humanas no litoral norte de São Paulo, em período pré-colonial, estiveram relacionadas a grupos de pescadores, coletores e caçadores, que exploravam de maneira sistemática os recursos disponíveis nos ecossistemas costeiros. Entre os vestígios materiais mais significativos dessas populações destacam-se os sítios concheiros, registros arqueológicos que permitem compreender aspectos de sua subsistência, organização social e práticas simbólicas.

Caracterização dos Sítios Concheiros

Os sítios concheiros identificados na região datam de aproximadamente 2.500 anos antes do presente. Sua estratigrafia revela uma camada arqueológica com cerca de um metro de espessura, composta principalmente por:

  • Restos ictiológicos (ossos e vértebras de peixes, em grande abundância);
  • Conchas de moluscos e mariscos (em proporção reduzida quando comparadas aos sambaquis);
  • Ossos de outros animais consumidos;
  • Artefatos líticos em pedra lascada e polida, como machados, lâminas e pontas de projétil;
  • Sepultamentos humanos, frequentemente associados a esses depósitos, indicando uso funerário.

Do ponto de vista estrutural, os concheiros não apresentam elevação topográfica expressiva, diferindo dos sambaquis. Neles, os vestígios arqueológicos aparecem distribuídos em bolsões descontínuos, com conchas pouco compactadas, em contraste com as camadas consolidadas observadas nos montículos sambaquieiros.

Concheiros versus Sambaquis

Distinções Arqueológicas e Funcionais

Embora ambos representem registros arqueológicos vinculados a grupos costeiros, há diferenças fundamentais entre sítios concheiros e sambaquis:

Sambaquis:

  • Estruturas monticulares monumentais, resultantes do acúmulo sistemático de conchas, ossos e sedimentos, podendo alcançar grande porte.
  • Conchas compactadas em camadas sucessivas, compondo um registro estratigráfico mais estável.
  • Função múltipla, envolvendo descarte alimentar, uso funerário e caráter simbólico como marcador territorial e social.
  • Cronologia geralmente mais antiga, abrangendo milênios de ocupação.

Concheiros:

  • Depósitos horizontais ou discretos, sem a formação de montículos. 
  • Predominância de restos de peixes, com conchas em menor quantidade e pouco compactadas.
  • Indicam uma economia voltada de forma mais acentuada para a pesca, representando uma alteração no padrão de subsistência em relação aos sambaquieiros.
  • Apesar da menor monumentalidade, também apresentam práticas funerárias, denotando importância cultural.

Implicações para o Estudo das Populações Costeiras

A análise dos sítios concheiros do litoral norte paulista aponta para uma transformação adaptativa na subsistência das populações locais. Enquanto os construtores de sambaquis realizavam uma coleta especializada de moluscos, os grupos associados aos concheiros demonstram maior ênfase na exploração dos recursos ictiológicos. Esse dado sugere uma reorganização econômica e social, possivelmente relacionada a mudanças ambientais, pressões demográficas ou redefinições nas estratégias de ocupação do espaço litorâneo.

Além disso, a presença de sepultamentos humanos nesses contextos evidencia que tais sítios não devem ser compreendidos apenas como depósitos de descarte, mas também como lugares de memória social e práticas funerárias, articulando dimensões econômicas e simbólicas da vida desses grupos.