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10.1.26

Arquivo Histórico revela: Ilhabela já discutia “bicicletas motorizadas” em 1954

 Por Edson Souza

Um documento oficial datado de 1954, preservado no acervo histórico digital do Arquivo Ilhabela®, mostra que o município já lidava, há mais de 70 anos, com temas que hoje voltam ao centro das discussões urbanas: o uso, a regulamentação e a circulação de veículos leves motorizados.

Emitido pela Delegacia de Polícia de Ilhabela, vinculada à então Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública, o ofício trata da aplicação da Lei nº 2.053, de 24 de dezembro, que regulamentava as chamadas “bicicletas simples e motorizadas”, com potência de até 150 cm³.

À época, esses veículos estavam isentos de impostos estaduais, mas precisavam ser emplacados, mediante o pagamento de taxas municipais, ficando sob fiscalização direta da Delegacia local.

O documento traz ainda um detalhe revelador da realidade insular daquele período: — “as bicicletas, único tipo de veículo existente neste município” —eram, na prática, o principal meio de transporte da população da ilha em 1954.


Passado que dialoga com o presente

O arquivo chama atenção não apenas pelo valor histórico, mas pela surpreendente atualidade do tema. Em 2025, Ilhabela — assim como diversas cidades brasileiras — vive um crescimento expressivo no uso de bicicletas elétricas, patinetes elétricos e motocicletas elétricas. Junto com essa expansão, surgem debates cada vez mais frequentes sobre segurança viária, fiscalização e uso adequado dos espaços urbanos.

Um dos pontos mais sensíveis hoje é a circulação de motocicletas elétricas em ciclovias, locais projetados para bicicletas convencionais e mobilidade não motorizada. A prática, além de gerar riscos, reacende uma discussão antiga: onde termina a bicicleta e começa o veículo motorizado?

Curiosamente, essa fronteira já preocupava o poder público em 1954. O documento deixa claro que, mesmo sendo veículos leves, as bicicletas motorizadas não estavam livres de controle, exigindo emplacamento, taxas e fiscalização — uma tentativa precoce de organizar o trânsito e preservar a segurança coletiva.

Memória como ferramenta de reflexão

O resgate desse arquivo reforça o papel do patrimônio documental como instrumento de reflexão sobre os desafios contemporâneos. A mobilidade elétrica, hoje vista como inovação, sustentabilidade e solução urbana, já era, em outra escala, uma realidade que exigia normas claras e responsabilidade no uso do espaço público.

Mais do que uma curiosidade histórica, o documento de 1954 nos lembra que as transformações tecnológicas mudam, mas os dilemas urbanos permanecem. Olhar para o passado de Ilhabela é também uma forma de pensar caminhos mais equilibrados para o presente e o futuro da mobilidade na ilha.

 

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