Reportagem: Edson Souza
Memória que atravessa o mar e o tempo... No acervo do Arquivo Ilhabela®, uma pequena nota publicada em 1902 pelo jornal Diário de Santos revela um grande episódio da nossa história: o naufrágio da canoa “Venturosa”, ocorrido no Canal de São Sebastião.
Mais do que uma notícia antiga, o registro é um retrato vivo das dificuldades enfrentadas pelos caiçaras, que dependiam (hoje ainda dependem) do mar para sobreviver e desafiavam tempestades, ventos e correntes em embarcações simples, guiados pela experiência, pela fé e pela coragem.
Histórias como essa ajudam a compreender não apenas os riscos da navegação no passado, mas também a origem de símbolos culturais de Ilhabela, como as capelas erguidas nas praias ou bairros — São Benedito (Praia Grande), Bom Jesus (Bexiga), Santa Cruz (Curral) — muitas delas fruto de promessas feitas em momentos extremos, quando a vida esteve por um fio.
Resgatar essas narrativas é preservar identidades, dar voz a quem viveu antes de nós e reconhecer que a história de Ilhabela não se escreve apenas em datas, mas em experiências humanas, perdas, fé e resistência.
Quantas histórias o mar ainda guarda? Quantas memórias resistirão ao tempo se não forem contadas? Memória é patrimônio. História também se preserva.












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