Por Edson Souza
Emoldurada pelo verde sereno do Morro do Cantagalo e pelas ruas ainda de barro batido, a imagem eterniza a imponência da Igreja Matriz da Vila, sede da Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda e Bonsucesso, dedicada à Padroeira de Ilhabela.
A fachada, então vestida em amarelo e branco — cores que dialogavam com a luz do litoral e o silêncio das manhãs caiçaras — guarda a memória de um tempo em que a arquitetura falava baixo, mas dizia muito. Hoje azul e branca, permanece firme; mas naquela década de 1970, sua tonalidade parecia aquecer ainda mais o coração da Vila.
O cruzeiro, simples e sólido, ainda de cimento, erguia-se como sentinela da fé. As esculturas sacras de Alfredo Oliani que ladeavam a escadaria, antes de receberem a pintura de cal, mantinham a pátina do tempo, testemunhas mudas das promessas, dos batizados e das despedidas. Cada degrau conduzia não apenas ao altar, mas à vida comunitária que pulsava ao redor da praça.
Ao fundo, o Morro do Cantagalo exibia um verde mais aberto, quase intocado, compondo um cenário onde natureza e devoção coexistiam em harmonia; e quando o sino sussurrava aos céus o chamado da procissão, seu eco deslizava pelas encostas, misturando-se ao vento salgado que vinha do canal.
Este não é apenas um registro fotográfico, é um fragmento de memória coletiva — um tempo em que Ilhabela tinha o compasso do sino, o perfume da terra molhada e a serenidade das tardes que pareciam não ter fim.








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