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22.5.26

Villa Bella da Princesa - Ilhabela - Participação de Roberto Julião

 Espaço do Colaborador -- Participação de Roberto Julião

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Um mergulho no tempo… Na Vila de Ilhabela, lá pelos anos 1940, a vida corria em outro ritmo — mais lento, mais simples, mais próximo da natureza. A cena revela um dia comum, mas cheio de significado: crianças e adultos aproveitando as águas calmas, sentados sobre as pedras ou se refrescando à beira-mar, sob o olhar sereno das palmeiras.

Ao fundo, o antigo pontão de madeira se estende mar adentro, servindo como ponto de chegada e partida das lanchas da Companhia Santense de Navegação, que conectavam a ilha ao continente. Era por ali que chegavam novidades, mantimentos e histórias.

As ruas ainda eram de terra batida, e a Praça Coronel Julião surgia bem arborizada, como um convite ao encontro e à convivência. Em seu local original, o antigo pelourinho ainda marcava presença — antes de ser deslocado para dentro da praça.

Essa imagem guarda mais do que um registro: guarda um sentimento. Um tempo em que o essencial bastava, e a Vila era feita de encontros, marés e memórias.

Um retrato que respira história… Do alto, a Vila de Ilhabela se revela em sua essência mais pura: ruas de terra, o verde abundante e o mar sereno compondo um cenário que parece suspenso no tempo. No coração da imagem, a Praça Coronel Julião surge ampla e bem arborizada, um verdadeiro ponto de encontro da vida cotidiana, onde a sombra das árvores acolhia conversas, encontros e o vai e vem tranquilo dos moradores.

Na esquina, destacam-se construções que marcaram época: o prédio da antiga Coletoria, ao lado do tradicional Rex Hotel e do Hotel Maembi, símbolos de uma Vila que já recebia visitantes e guardava histórias em cada detalhe de suas paredes.

Descendo a rua, encontramos um dos edifícios mais emblemáticos da história local: a antiga sede do Grupo Escolar de Villa Bella. Um espaço que atravessou gerações e funções — já foi sede da Câmara Municipal, abrigou o Esporte Clube Ilhabela e, hoje, segue presente no cotidiano como agência da Caixa Econômica Federal.

Entre o verde das árvores e o azul do canal, essa imagem não mostra apenas um lugar — revela um tempo em que a Vila era feita de simplicidade.

  • Diante do tempo, a Vila se ergue em silêncio —
  • como quem sabe que carrega a própria história no peito.
  • À esquerda, a fé repousa na Paróquia
  • Nossa Senhora d’Ajuda e Bonsucesso,
  • guardando promessas, passos lentos
  • e olhares voltados ao céu.
  • Ali mora a padroeira, princesa de uma Villa Bella
  • que cresceu entre devoção e mar.

  • Ao centro, imponente e sereno,
  • o antigo Prédio da Cadeia e Fórum de Ilhabela
  • observa o passar dos dias como um velho cronista —
  • já foi justiça, já foi voz política,
  • já abrigou a Câmara, decisões e destinos.

  • E ao fundo, o Cantagalo se estende como testemunha eterna,
  • abraçando tudo em sua paisagem quase intocada,
  • como se dissesse que o tempo muda,
  • mas a essência permanece. 

  • É mais que uma imagem —
  • é cartão-postal de uma época que não se apaga,
  • cenário de histórias, de filmes vividos e lembrados,
  • de passos que ainda ecoam no chão da memória. 

  • Aqui, tudo se encontra:
  • fé, poder, natureza e gente.
  • Aqui, a Vila se revela inteira —
  • na sua identidade mais pura,
  • no retrato vivo de Ilhabela.

  • Na quietude da Rua da Padroeira,
  • o tempo caminhava descalço,
  • sem pressa de chegar. 

  • As casas, de portas abertas e sem muros,
  • não conheciam distância —
  • porque ali, cada rosto tinha nome,
  • cada voz, uma história compartilhada no fim da tarde 

  • O chão de terra guardava passos simples,
  • de quem ia e vinha sem medo,
  • como se a própria Vila fosse um abraço constante. 

  • E o vento…
  • sempre ele, soprando entre as árvores,
  • disputando espaço com o doce linguajar caiçara,
  • feito música viva que nascia das conversas nas janelas,
  • dos encontros ao acaso, das risadas soltas pela rua. 

  • Não havia pressa, nem desconfiança —
  • havia pertencimento.

  • A Vila ecoava alegria,
  • ecoava segurança,
  • ecoava vida em sua forma mais pura. 

  • E hoje, ao olhar essa lembrança,
  • parece que ainda é possível ouvir,
  • bem baixinho,
  • o sussurro daquele tempo
  • que sabia ser simples…
  • e, por isso mesmo, inteiro.


  • No silêncio antigo do mar,
  • o tempo ainda repousa sobre o Pontão da Vila. 

  • Ali, de frente para as águas que iam e vinham,
  • erguia-se o Hotel Villa Bella,
  • guardião das chegadas, testemunha das partidas,
  • como se cada janela soubesse
  • histórias que o vento nunca esqueceu. 

  • Ao fundo, o Morro do Cantagalo
  • respirava verde, profundo,
  • exalando o perfume da terra molhada,
  • misturado ao sal e à esperança
  • dos que chegavam pelo mar. 

  • O píer de madeira rangia memórias.
  • Era mais que passagem —
  • era abraço e despedida,
  • era o instante suspenso entre ficar e partir. 

  • Canoas deslizavam como versos calmos,
  • traineiras cortavam o espelho d’água com dignidade,
  • e as lanchas da Santense de Navegação
  • traziam o mundo até ali,
  • como quem entrega cartas escritas pelo horizonte. 

  • Havia simplicidade no ar —
  • daquelas que não se explicam, apenas se vivem.
  • Gente de fala mansa, olhar sereno,
  • e o vento… ah, o vento…
  • soprando entre as árvores como música antiga,
  • espalhando perfumes que pareciam abraçar cada visitante. 

  • A Vila de ontem não tinha pressa.
  • Tinha alma. 

  • E lembrar disso agora
  • é como abrir um frasco guardado no tempo —
  • um perfume raro, invisível,
  • que ao ser compartilhado com o mundo
  • sempre deixa algumas gotas
  • silenciosamente
  • em nós.


...

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