Espaço do Colaborador -- Participação de Roberto Julião
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Um mergulho no tempo… Na Vila de Ilhabela, lá pelos anos 1940, a vida corria em outro ritmo — mais lento, mais simples, mais próximo da natureza. A cena revela um dia comum, mas cheio de significado: crianças e adultos aproveitando as águas calmas, sentados sobre as pedras ou se refrescando à beira-mar, sob o olhar sereno das palmeiras.
Ao fundo, o antigo pontão de madeira se estende mar adentro, servindo como ponto de chegada e partida das lanchas da Companhia Santense de Navegação, que conectavam a ilha ao continente. Era por ali que chegavam novidades, mantimentos e histórias.
As ruas ainda eram de terra batida, e a Praça Coronel Julião surgia bem arborizada, como um convite ao encontro e à convivência. Em seu local original, o antigo pelourinho ainda marcava presença — antes de ser deslocado para dentro da praça.
Essa imagem guarda mais do que um registro: guarda um sentimento. Um tempo em que o essencial bastava, e a Vila era feita de encontros, marés e memórias.
Um retrato que respira história… Do alto, a Vila de Ilhabela se revela em sua essência mais pura: ruas de terra, o verde abundante e o mar sereno compondo um cenário que parece suspenso no tempo. No coração da imagem, a Praça Coronel Julião surge ampla e bem arborizada, um verdadeiro ponto de encontro da vida cotidiana, onde a sombra das árvores acolhia conversas, encontros e o vai e vem tranquilo dos moradores.
Na esquina, destacam-se construções que marcaram época: o prédio da antiga Coletoria, ao lado do tradicional Rex Hotel e do Hotel Maembi, símbolos de uma Vila que já recebia visitantes e guardava histórias em cada detalhe de suas paredes.
Descendo a rua, encontramos um dos edifícios mais emblemáticos da história local: a antiga sede do Grupo Escolar de Villa Bella. Um espaço que atravessou gerações e funções — já foi sede da Câmara Municipal, abrigou o Esporte Clube Ilhabela e, hoje, segue presente no cotidiano como agência da Caixa Econômica Federal.
Entre o verde das árvores e o azul do canal, essa imagem não mostra apenas um lugar — revela um tempo em que a Vila era feita de simplicidade.
- Diante do tempo, a Vila se ergue em silêncio —
- como quem sabe que carrega a própria história no peito.
- À esquerda, a fé repousa na Paróquia
- Nossa Senhora d’Ajuda e Bonsucesso,
- guardando promessas, passos lentos
- e olhares voltados ao céu.
- Ali mora a padroeira, princesa de uma Villa Bella
- que cresceu entre devoção e mar.
- Ao centro, imponente e sereno,
- o antigo Prédio da Cadeia e Fórum de Ilhabela
- observa o passar dos dias como um velho cronista —
- já foi justiça, já foi voz política,
- já abrigou a Câmara, decisões e destinos.
- E ao fundo, o Cantagalo se estende como testemunha eterna,
- abraçando tudo em sua paisagem quase intocada,
- como se dissesse que o tempo muda,
- mas a essência permanece.
- É mais que uma imagem —
- é cartão-postal de uma época que não se apaga,
- cenário de histórias, de filmes vividos e lembrados,
- de passos que ainda ecoam no chão da memória.
- Aqui, tudo se encontra:
- fé, poder, natureza e gente.
- Aqui, a Vila se revela inteira —
- na sua identidade mais pura,
- no retrato vivo de Ilhabela.
- Na quietude da Rua da Padroeira,
- o tempo caminhava descalço,
- sem pressa de chegar.
- As casas, de portas abertas e sem muros,
- não conheciam distância —
- porque ali, cada rosto tinha nome,
- cada voz, uma história compartilhada no fim da tarde
- O chão de terra guardava passos simples,
- de quem ia e vinha sem medo,
- como se a própria Vila fosse um abraço constante.
- E o vento…
- sempre ele, soprando entre as árvores,
- disputando espaço com o doce linguajar caiçara,
- feito música viva que nascia das conversas nas janelas,
- dos encontros ao acaso, das risadas soltas pela rua.
- Não havia pressa, nem desconfiança —
- havia pertencimento.
- A Vila ecoava alegria,
- ecoava segurança,
- ecoava vida em sua forma mais pura.
- E hoje, ao olhar essa lembrança,
- parece que ainda é possível ouvir,
- bem baixinho,
- o sussurro daquele tempo
- que sabia ser simples…
- e, por isso mesmo, inteiro.
- No silêncio antigo do mar,
- o tempo ainda repousa sobre o Pontão da Vila.
- Ali, de frente para as águas que iam e vinham,
- erguia-se o Hotel Villa Bella,
- guardião das chegadas, testemunha das partidas,
- como se cada janela soubesse
- histórias que o vento nunca esqueceu.
- Ao fundo, o Morro do Cantagalo
- respirava verde, profundo,
- exalando o perfume da terra molhada,
- misturado ao sal e à esperança
- dos que chegavam pelo mar.
- O píer de madeira rangia memórias.
- Era mais que passagem —
- era abraço e despedida,
- era o instante suspenso entre ficar e partir.
- Canoas deslizavam como versos calmos,
- traineiras cortavam o espelho d’água com dignidade,
- e as lanchas da Santense de Navegação
- traziam o mundo até ali,
- como quem entrega cartas escritas pelo horizonte.
- Havia simplicidade no ar —
- daquelas que não se explicam, apenas se vivem.
- Gente de fala mansa, olhar sereno,
- e o vento… ah, o vento…
- soprando entre as árvores como música antiga,
- espalhando perfumes que pareciam abraçar cada visitante.
- A Vila de ontem não tinha pressa.
- Tinha alma.
- E lembrar disso agora
- é como abrir um frasco guardado no tempo —
- um perfume raro, invisível,
- que ao ser compartilhado com o mundo
- sempre deixa algumas gotas
- silenciosamente
- em nós.













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