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30.10.25

29º Encontro Regional de Autores reúne 37 livros do Litoral Norte

 Por Edson Souza / Colaborou Maria Angélica de Moura Miranda

Assista no YouTube -- Clique Aqui

Escritores no Tebar Praia Clube -- Foto Iuri Cunha

O litoral norte de São Paulo mais uma vez mostrou a força da sua produção literária. Realizado no último sábado (25), nas dependências do Tebar Praia Clube, em São Sebastião, o 29º Encontro Regional de Autores reuniu escritores de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, reafirmando a riqueza e a diversidade cultural da região.

Coordenado pela jornalista e escritora Maria Angélica de Moura Miranda, o encontro apresentou 37 obras e contou com a presença de 22 autores, dos mais variados estilos e gêneros literários. Nesta edição, 16 escritores se apresentaram ao público, sendo 11 deles estreantes no evento — um indicativo do crescimento e da renovação do cenário literário regional.

26.2.23

Objetivos do Impacto Litoral Norte SP

 

a) A realização de pesquisas jornalísticas e científicas acerca da história geral no litoral norte do Estado de São Paulo, valorizando e resgatando a cultura histórica, fotográfica, cartográfica e audiovisual.

b) Promover exposições temáticas e itinerantes incentivando o interesse e a dedicação às questões relativas à história geral e meio ambiente.

c) Realizar entrevistas em comunidades, membros e grupos, recriando ambientes e o contato com a natureza, de modo a se resgatar o patrimônio imaterial, promovendo o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana.

d) Criar ‘oficinas de trabalho’ de artes plásticas, desenho, geometria, artesanato, marcenaria, costura, dança, artes circenses, música, canto-coral, cênicas, gastronômico e demais manifestações de caráter cultural, valorizando a cultura local.

e) Recuperar e organizar de forma impressa e digital todo material relacionado às categorias: fotografias, filmografias, livros, textos, mapas, hemeroteca, jornais e revistas, incentivando o acesso à informação, pesquisas e consultas.

f) A publicação de livros didáticos acerca da história geral no litoral norte do Estado de São Paulo, modernizando as informações sobre a emancipação política e administrativa dos municípios.

g) O agendamento de visitas monitoradas com alunos e professores das escolas públicas e privadas aos museus e espaços públicos das cidades, de modo a compartilhar o conhecimento e a promoção do acervo histórico cultural.

h) A realização de palestras temáticas abertas ao público de interesse geral.

i) A captação de fundos através de apoio institucional e patrocino para que através da parceria, ‘marketing’ e propaganda, haja difusão, exposições e publicações didáticas.

j) Promover e difundir ações relacionadas às atividades de Ecoturismo, utilizando, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentivando sua conservação e buscando a formação de uma consciência ambientalista.

k) Participar de eventos e ações publicas, particulares e civis, realizando o registro fotográfico para divulgações e arquivos.

l) A publicação de jornais e revistas, promovendo a informação e comunicação.


Quem Somos: Impacto Litoral Norte SP

O Impacto Litoral Norte SP é uma iniciativa privada idealizada pelo jornalista e pesquisador Edson Souza, nativo de Ilhabela e descendente de uma tradicional família caiçara da Baía dos Castelhanos. Desde 2004, Edson se dedica a reunir e preservar documentos, fotografias, jornais e depoimentos que registram a história, memória e patrimônio cultural na região.

O acervo começou de forma independente e cresceu com o apoio de doadores, que contribuíram com livros, entrevistas e registros históricos. Esse movimento resultou na criação de um espaço digital, que hoje se consolidou como referência no resgate da cultura do litoral paulista.

4.1.98

História de Ubatuba

 Por Edson Souza

Ubatuba, localizada no litoral norte de São Paulo, é uma cidade que respira história e cultura. Sua fundação remonta ao dia 28 de outubro de 1637, quando foi criada a Vila da Exaltação da Santa Cruz de Ubatuba. No entanto, a história da região é muito mais antiga, e as pesquisas arqueológicas têm revelado um passado fascinante, que remonta até os primeiros habitantes da região.

Os Primeiros Habitantes: Os Tupinambás

Antes da chegada dos portugueses, a região que hoje conhecemos como Ubatuba era habitada por populações seminômades, que se sustentavam da coleta de mariscos e da caça. Sítios arqueológicos como os do Tenório e Mar Virado revelaram vestígios dessas primeiras civilizações, com esqueletos, pontas de flechas e outros utensílios utilizados por esses povos, antecessores dos índios tupinambás.

Quando os europeus chegaram ao Brasil, Ubatuba já era conhecida pelos índios tupinambás como Iperoig. Nesse período, a região foi palco de um confronto diplomático crucial, que marcaria o futuro do Brasil. Enquanto os portugueses buscavam expandir seu domínio sobre a costa brasileira, os franceses também tinham planos para a região.

O Conflito de Iperoig: A Batalha Diplomática

Em 1555, a França, sob o comando de Villegaignon e com o apoio de Henrique II, rei da França, tentou estabelecer uma colônia na Baía de Guanabara, chamada França Antártica. Para isso, entraram em conflito direto com os portugueses, que, na época, já haviam estabelecido um forte poderio militar na região. No entanto, a disputa não se limitava aos europeus. Os índios, liderados por Aimberê e Cunhambebe, tinham grande influência sobre o desenrolar dos eventos. Os tupinambás, que inicialmente demonstraram simpatia pelos franceses, acabaram formando uma aliança contra os portugueses.

A disputa pela região, envolvendo franceses, portugueses e tupinambás, representou um momento decisivo na história do Brasil. Os franceses, apesar do apoio dos indígenas, não conseguiram vencer o poderio português, e a França Antártica acabou sendo derrotada, consolidando o domínio português na região.

O Século XIX: Riqueza e Crescimento

Ao longo do século XIX, Ubatuba floresceu economicamente, principalmente graças à atividade portuária. O comércio de produtos como a cana-de-açúcar e outros bens locais foi um fator crucial para o crescimento da cidade. Em 1855, Ubatuba foi elevada de vila a comarca, reforçando sua importância política e econômica na região.

Com a intensificação das atividades comerciais e a modernização do transporte, Ubatuba se firmou como um centro de negócios e desenvolvimento. A cidade não apenas prosperou devido à sua localização estratégica, mas também pela riqueza natural que oferecia aos que ali se estabeleciam.

O Século XX: O Turismo e a Transformação da Cidade

O grande impulso para o turismo em Ubatuba começou na década de 1950, com a construção da Rodovia SP-55, que facilitou o acesso à cidade e abriu novas possibilidades para o setor. Nesse período, o município começou a atrair um número crescente de visitantes, interessados em suas belas praias e paisagens naturais.

A década de 1960 marcou uma nova fase para Ubatuba, com a cidade sendo elevada à categoria de Estância Balneária em 1967. Esse status impulsionou ainda mais o turismo e a valorização imobiliária na região. O grande marco aconteceu em 1975, com a abertura da Rodovia Rio-Santos, que conectou Ubatuba a outros destinos importantes do litoral paulista e fluminense, consolidando o município como um dos destinos turísticos mais procurados do estado.

Ubatuba Hoje: Turismo como Principal Fonte de Renda

Atualmente, o turismo é a maior fonte de renda de Ubatuba. Com mais de 80 praias, matas preservadas e um rico patrimônio cultural, a cidade se tornou um destino turístico de renome, tanto para brasileiros quanto para turistas internacionais. Além de suas belezas naturais, Ubatuba preserva sua história, com construções históricas e sítios arqueológicos que rememoram a luta pela formação do Brasil.

A cidade, que começou como um ponto estratégico entre os tupinambás e os portugueses, hoje é um vibrante centro turístico, que une história, natureza e cultura, mantendo-se fiel às suas raízes e ao mesmo tempo se adaptando às demandas do mundo moderno.

Ubatuba segue sendo um destino de turismo de sol e mar, mas também é um local onde o passado e o presente se encontram, criando uma atmosfera única que encanta todos que por lá passam. A cidade continua a ser um exemplo de resistência e resiliência, desde a sua fundação em 1637 até os dias atuais.



3.1.98

Dados Gerais de Caraguatatuba

 Por Edson Souza

Caraguatatuba é um município brasileiro no litoral norte do estado de São Paulo. Integra a Região Imediata de Caraguatatuba-Ubatuba-São Sebastião, localizando-se a leste da capital do estado e distando desta 178 km.

A cidade ocupa uma área territorial de 484,947 km² e, segundo o IBGE (2024), a população é de 141 084 habitantes, sendo o 57.º município mais populoso de São Paulo e o 219.º do país.

Ela tem uma temperatura média anual de 25 °C e na vegetação original do município predomina a mata atlântica. Foi elevada à categoria de freguesia em 27 de setembro de 1770 (com seu território pertencendo a São Sebastião). O crescimento do povoado veio com a chegada de famílias de estrangeiros, que se instalaram na Fazenda dos Ingleses.

Em 16 de março de 1847, o presidente da Província de São Paulo, Manuel da Fonseca Lima e Silva, ordenou que a freguesia passasse a ser denominada Vila. Caraguatatuba recebeu sua emancipação política e administrativa em 20 de abril de 1857 — deixando de pertencer ao município de São Sebastião.

O progresso da Freguesia de Santo Antônio de Caraguatatuba forçou o Governo do Estado de São Paulo a reconhecê-la como Estância Balneária em 30 de novembro de 1947. Sua comarca foi instalada alguns anos depois, em 26 de setembro de 1965.

Entre os dias 15 a 18 de março de 1967, a cidade sofreu uma das maiores catástrofes do estado de São Paulo, quando chuvas ininterruptas causaram deslizamentos de terra e lama em quase todos os pontos. O saldo da tragédia foi a morte de 436 pessoas e a destruição de um grande número de residências e edifícios, resultando também no encerramento da Fazenda dos Ingleses, que funcionou entre 1927 a 1967.

Estância Balneária

Caraguatatuba foi o primeiro município paulista a receber o título de Estância Balneária, concedido pela Lei Estadual nº 38, de 30 de dezembro de 1947. Essa lei definiu a área da estância e autorizou o repasse de verbas estaduais para obras de infraestrutura turística.

Caraguatatuba é um dos 15 municípios paulistas reconhecidos como Estâncias Balneárias pelo Estado de São Paulo, por atender a critérios específicos estabelecidos pela antiga Lei nº 163, de 27 de setembro de 1948. Esse reconhecimento garante ao município o acesso a recursos estaduais adicionais destinados à promoção do turismo regional. Além disso, confere o direito de utilizar oficialmente o título de "Estância Balneária" em documentos e comunicações tanto municipais quanto estaduais.

Vale destacar que essa legislação foi formalmente revogada pela Lei nº 17.469, de 13 de dezembro de 2021, no contexto de um processo de consolidação normativa. No entanto, a revogação não alterou o status de estância dos municípios já reconhecidos, preservando todos os seus direitos e benefícios.

Geografia

A área do município, segundo o IBGE (2024), é de 484,947 km². Situa-se a 23°37'12" de latitude sul e 45° 24' 46" de longitude oeste e está a uma distância de 178 quilômetros a leste da capital paulista. Limita-se com Natividade da Serra a norte, Ubatuba a nordeste, o Oceano Atlântico a sudeste com a Ilha de São Sebastião a sul, São Sebastião a sul, Salesópolis a oeste e Paraibuna a noroeste.

Clima, Economia e Infraestrutura

O clima de Caraguatatuba é tropical úmido, com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual de 24 °C, tendo invernos úmidos e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. O mês mais quente, fevereiro, conta com temperatura média de 27 °C, sendo a média máxima de 31 °C e a mínima de 23 °C; e o mês mais frio, julho, com média de 20 °C, sendo 25 °C e 15 °C a média máxima e mínima respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A vegetação original e predominante no município é a mata atlântica, sendo que a vegetação nativa remanescente está mais presente na Serra de Caraguatatuba.

Caraguatatuba tem boa infraestrutura composta por hotéis, pousadas, shopping, supermercados e lojas. A cidade é a economia mais importante do litoral norte. A população do município cresceu significativamente em 2010. De acordo com o Censo 2022, a população é de 134.873 habitantes, um aumento de 33,75% em comparação ao Censo 2010, em que foi registrada a população de 100.899.

A Rodovia Manuel Hipólito do Rego (SP-55): oferece acesso a outras cidades litorâneas como São Sebastião, Ubatuba, Ilhabela, Rio de Janeiro e Santos.

A Rodovia dos Tamoios (SP-99): oferece acesso direto à São José dos Campos e às rodovias SP-70 para São Paulo e SP-65 para Campinas e o interior do estado.



História de Caraguatatuba

 Por Edson Souza

História e Evolução de um Município Litorâneo

Caraguatatuba, um dos principais municípios do litoral norte de São Paulo, tem uma história que remonta aos anos de 1653/1654, quando foi fundada como a Vila de Santo Antônio de Caraguatatuba. Ao longo dos séculos, a cidade passou por diversas transformações, desde a fundação até a sua atual posição como um importante destino turístico da região.

As Origens de Caraguatatuba

A fundação de Caraguatatuba remonta ao período colonial, quando o capitão-governador João Blau, responsável pela Capitânia de Nossa Senhora de Itanhaém, fundou a Vila de Santo Antônio de Caraguatatuba. Este território fazia parte da Capitânia de Itanhaém, que estava sob o domínio da Condessa de Vimieiro. O início da vila se deu entre 1653 e 1654, mas, com o passar do tempo, a cidade sofreu alguns altos e baixos em sua ocupação e desenvolvimento.

Por volta de 1770, o governador da Capitânia de São Paulo ordenou que o comandante do destacamento de São Sebastião tomasse providências para reerguer a povoação de Caraguatatuba, que estava em declínio. Com isso, foi delineado um novo plano de ocupação para a cidade, incluindo a construção de uma Casa de Câmara, cadeias e outros edifícios públicos, aproveitando que a Igreja de Santo Antônio já estava construída e representava um centro de devoção local.

A "Vila que Desertou" e o Retorno à Prosperidade

A história de Caraguatatuba teve um novo revés no início do século XIX, quando a vila sofreu uma grande crise. Em 1806, a região foi submetida a uma correição, uma espécie de inspeção administrativa, que resultou no abandono da vila pelos seus moradores. Devido a essa mudança, a vila foi chamada de "Vila que Desertou" e permaneceu vazia por um tempo.

No entanto, a vila não permaneceu esquecida por muito tempo. Após a correição, e com o apoio da Igreja e de sua administração local, Caraguatatuba renasceu. A cidade se reergueu e, em 16 de março de 1847, foi elevada à categoria de freguesia por meio da Lei nº 336. Esse passo foi crucial para sua recuperação e desenvolvimento.

A Elevação a Município e a Expansão

O impulso para o crescimento de Caraguatatuba continuou nos anos seguintes. Em 20 de abril de 1857, a cidade foi finalmente elevada à categoria de município, por meio da promulgação da Lei nº 581, e foi oficialmente instalada em 23 de novembro do mesmo ano. Esse marco legal consolidou a cidade como uma entidade política autônoma e deu início a um processo de crescimento e modernização.

Caraguatatuba no Século XX: O Turismo como Pilar

O município continuou a se expandir ao longo do século XX, com a cidade se tornando cada vez mais conhecida, especialmente devido à sua localização privilegiada no litoral paulista. Em 30 de novembro de 1947, Caraguatatuba foi elevada à categoria de Estância Balneária pela Lei nº 38, um título que reforçou seu papel como um importante destino turístico da região.

Além disso, a criação da comarca em 1959, por meio da Lei nº 5.282, e sua instalação em 1965, garantiu uma maior autonomia administrativa e consolidou a cidade no cenário jurídico e político do estado.

Caraguatatuba Hoje: Turismo e Desenvolvimento

Hoje, Caraguatatuba é uma cidade próspera, que une sua rica história à modernidade, com um dos setores mais importantes sendo o turismo. Suas praias, infraestrutura e belezas naturais atraem turistas de todas as partes do Brasil, especialmente durante as férias e feriados prolongados.

Além disso, a cidade preserva seu patrimônio histórico, com destaque para a Igreja de Santo Antônio, que remonta à época colonial e continua sendo um ponto de visitação importante para aqueles que querem conhecer as raízes do município.

Caraguatatuba é, sem dúvida, um exemplo de resiliência e crescimento. Desde a sua fundação até sua transformação em um importante centro turístico, a cidade continua a evoluir, mantendo viva a memória de seu passado enquanto se projeta para o futuro. O município, com suas praias paradisíacas e rica história, segue sendo um dos maiores destinos turísticos do litoral paulista.

 


2.1.98

Dados Gerais de São Sebastião

 Por Edson Souza

São Sebastião é um município do estado de São Paulo, localizado na Região Geográfica Imediata de Caraguatatuba-Ubatuba-São Sebastião. De acordo com o IBGE (2024), sua população é de 84.019 habitantes. A área territorial do município é de 402, 395 km².

É a cidade mais antiga do litoral norte. Antes da colonização portuguesa, a região de São Sebastião era habitada por indígenas das etnias Tupinambá e Tupiniquim, sendo a serra de Boiçucanga uma divisa natural entre os territórios das tribos.

A ocupação portuguesa teve início com a História do Brasil, após a divisão do território em Capitânias Hereditárias. Por volta de 1608, João de Abreu e Diogo de Unhate, alegando “estarem na Capitânia há muitas décadas, serem casados, terem filhos e terem ajudado, às suas custas, nas guerras contra franceses, ingleses e índios inimigos”, obtiveram uma sesmaria em São Sebastião.

Esses sesmeiros deram início à povoação local, com atividades voltadas à agricultura, pesca e instalação de engenhos de madeira para a produção de açúcar. Foram, portanto, responsáveis pelo desenvolvimento econômico da região e pela formação do núcleo habitacional e político que permitiu a elevação do povoado à categoria de vila em 16 de março de 1636 e, posteriormente, à emancipação político-administrativa (cidade), em 20 de abril de 1875.

Estância Balneária

São Sebastião é um dos 15 municípios paulistas reconhecidos como Estâncias Balneárias pelo Estado de São Paulo, por atender a critérios específicos estabelecidos pela antiga Lei nº 163, de 27 de setembro de 1948. Esse reconhecimento garante ao município o acesso a recursos estaduais adicionais destinados à promoção do turismo regional. Além disso, confere o direito de utilizar oficialmente o título de "Estância Balneária" em documentos e comunicações tanto municipais quanto estaduais.

Vale destacar que essa legislação foi formalmente revogada pela Lei nº 17.469, de 13 de dezembro de 2021, no contexto de um processo de consolidação normativa. No entanto, a revogação não alterou o status de estância dos municípios já reconhecidos, preservando todos os seus direitos e benefícios.

Geografia

O município de São Sebastião está situado no litoral norte do estado de São Paulo, delimitado ao norte pelo município de Caraguatatuba, ao sul por Bertioga, a noroeste por Salesópolis e a leste pelo Oceano Atlântico. Entre sua costa leste e a Ilha de São Sebastião — que constitui o território do município vizinho de Ilhabela — estende-se o canal de São Sebastião, com largura mínima de apenas 3 km. Nesse estreito canal realiza-se a travessia por balsas da Travessia São Sebastião–Ilhabela, que conecta o continente à ilha.

Na região do canal está localizado o Porto de São Sebastião, além do terminal da maior unidade da Transpetro, subsidiária da Petrobras responsável pelo transporte de combustíveis. Essa unidade é responsável por aproximadamente 80% do combustível exportado pelo Brasil, o que confere à cidade importância estratégica no setor energético nacional.

O município desenvolve-se em sua maior parte sobre uma estreita faixa de terra plana entre o mar e a Serra do Mar. Essa faixa tem largura variável: cerca de 3 km nas regiões centrais e até o dobro nas áreas menos urbanizadas ao oeste.

A maioria da população e da infraestrutura urbana está concentrada entre a Praia da Enseada, ao norte, próxima à divisa com Caraguatatuba, e a Praia de Guaecá. A partir da região de Toque-Toque em direção à Praia da Boraceia, na fronteira com Bertioga, predominam áreas de lazer, turismo e veraneio, com diversos hotéis, casas de temporada e estabelecimentos noturnos. Os rios Guaratuba e Perequê-Mirim marcam, respectivamente, os limites sul e norte do município.

Administrativamente, São Sebastião é composto por três distritos: o Distrito de São Sebastião (sede), o Distrito de São Francisco da Praia e o Distrito de Maresias.

Além do território continental, o município abriga diversas ilhas de origem vulcânica ao longo de seu litoral. A mais conhecida é a Ilha de São Sebastião, correspondente ao município de Ilhabela. Outras ilhas destacadas incluem:

  • Ilha de Toque-Toque Grande — situada em frente ao morro que ladeia a praia homônima, é um ponto procurado para mergulho.
  • Ilha de Toque-Toque Pequeno— localizada mais ao sul, possui formato que lembra uma tartaruga quando vista da Praia de Santiago.
  • Arquipélago dos Alcatrazes — ao sul, é composto por cinco ilhas principais (Alcatrazes, Sapata, Paredão, Porto ou Farol e do Sul), além de quatro ilhotas menores, cinco lajes (Dupla, Singela, do Paredão, do Farol e Negra) e dois parcéis (Nordeste e Sudeste). A região é de elevado valor ecológico e está em processo de conservação ambiental.
  • Ilha dos Gatos, Ilha das Couves e a curiosamente nomeada "As Ilhas", que apesar do nome, trata-se de uma única ilha dotada de uma praia bastante frequentada por visitantes das praias de Barra do Sahy e Juqueí.
  • Ilha do Montão de Trigo — uma das mais afastadas, também integra o cenário insular do município.

Esse conjunto de ilhas e a própria conformação geográfica do litoral — com sua rica biodiversidade, praias atrativas e áreas de mata atlântica preservada — contribuem para o perfil turístico, ambiental e estratégico de São Sebastião no contexto do litoral paulista.

Clima, Economia e Infraestrutura

Localizado no litoral norte de São Paulo, o município de São Sebastião destaca-se por sua geografia singular e por sua relevância histórica, cultural e turística. A cidade possui clima oceânico, com temperatura média anual em torno de 23 °C, favorecendo o turismo durante boa parte do ano. Grande parte de seu território — incluindo morros, ilhas e encostas — é coberta pela densa vegetação da Mata Atlântica, o que reforça seu potencial natural e paisagístico.

A geografia urbana é marcada por uma estreita faixa plana entre a Serra e o mar, onde se concentra a ocupação urbana. No centro da cidade, essa faixa não ultrapassa 3 km de largura, podendo chegar ao dobro nas regiões menos densamente povoadas ao oeste. A BR-101, também conhecida como Rodovia Doutor Manuel Hipólito do Rego, é a principal via terrestre da cidade, conectando seus extremos norte e sul. O acesso ao município se dá por essa rodovia, tanto a partir de Caraguatatuba quanto de Bertioga.

A economia de São Sebastião é fortemente sustentada pelo turismo, além de atividades como comércio, construção civil, pesca artesanal e artesanato tradicional, estas últimas com menor participação, mas ainda representativas da identidade local. Um dos maiores atrativos são as 36 praias espalhadas ao longo do município, que vão da Praia da Enseada, no extremo norte, até a Praia da Boraceia, ao sul. Destacam-se ainda pontos turísticos como Toque-Toque, Maresias, Boiçucanga e Barra do Sahy, entre outros.

O centro urbano divide-se em duas áreas distintas. O centro histórico, em torno da Igreja Matriz de São Sebastião, preserva construções coloniais que hoje abrigam bares, restaurantes, repartições públicas e pousadas. Já a parte moderna, construída sobre um aterro à beira-mar, concentra importantes espaços de convivência, como a Rua da Praia, onde se encontram o teatro municipal, pista de skate, praças, sorveterias, feiras de artesanato, bares e restaurantes.

Além das praias, São Sebastião oferece pontos de interesse cultural e histórico, como o próprio Museu de Arte Sacra, o Museu do Mar (no Balneário dos Trabalhadores), o Convento Franciscano, a Paróquia Nossa Senhora do Amparo e o Sítio Arqueológico de São Francisco, que preserva vestígios arquitetônicos de uma antiga fazenda.

O município conta ainda com uma rodoviária localizada na Rua Minas Gerais, nº 221, no centro, que oferece linhas regulares para destinos como São Paulo (Tietê e Aeroporto de Guarulhos), São José dos Campos, Santos, Rio de Janeiro, Caraguatatuba, Paraty, Guarujá e Angra dos Reis.

Combinando riquezas naturais exuberantes, patrimônio histórico preservado e infraestrutura turística em constante evolução, São Sebastião se consolida como um dos destinos mais importantes e encantadores do litoral paulista.



História de São Sebastião

 Por Edson Souza

O povoado que se formaria às margens do Canal de Toque-Toque, na área que hoje corresponde ao município de São Sebastião, começou a se desenvolver no início do século XVII. Os primeiros colonos a se estabelecer na capitânia de Santo Amaro foram Diogo de Unhate e João de Abreu. Eles obtiveram sesmarias (terras que a Coroa portuguesa concedia) do capitão-mór Gaspar Conqueiro, tenente do donatário Lopo de Souza, em 1608 e 1609, respectivamente. Essas concessões, datadas de 26 de janeiro de 1608 e 16 de junho de 1609, possibilitaram que ambos e suas famílias se fixassem na região, dando início à ocupação do território.

Diogo de Unhate e João de Abreu já contavam com experiência, pois residiam há cerca de 40 anos nas terras de Santos. Durante esse tempo, estiveram envolvidos nas batalhas e escaramuças que defendiam a vila de Santos contra incursões de franceses, ingleses e holandeses.

Unhate, por sua vez, era um homem valente que, apesar de ser escrivão alfandegário, participou ativamente de várias batalhas, sendo ferido em múltiplos confrontos, o que lhe trouxe sequelas físicas, causando-lhe uma mancada e dificuldades no uso do braço e da mão direitas. Abreu, que trabalhava como almoxarife na Fazenda Real em Santos, também estava envolvido nas tensões do momento e tinha a experiência necessária para enfrentar os desafios da colonização.

Ao chegarem à área do Canal de Toque-Toque, esses primeiros colonos começaram a se dedicar à criação de animais e ao cultivo de cana-de-açúcar, algodão e diversos gêneros alimentícios. A agricultura, em especial a produção de açúcar, tornou-se uma das principais atividades que sustentaram o desenvolvimento da região. Não muito tempo depois, o sesmeiro Francisco de Escobar Ortiz, acompanhado por sua esposa, Inês de Oliveira Cotrim, chegou à Ilha de São Sebastião, oriundo de Vitória, no Espírito Santo, dando continuidade ao processo de ocupação e expansão da comunidade.

Com a chegada de novos sesmeiros, que trouxeram escravizados para atuar nas plantações de açúcar, anil, fumo, arroz e feijão, o povoado começou a se firmar, apresentando uma população em ascensão e uma economia fundamentada na produção agrícola. Essa nova comunidade foi se desenvolvendo aos poucos, à medida que a chegada de colonos impulsionava o comércio local e a atividade açucareira. Infelizmente, o trabalho escravo também fazia parte desse panorama, marcando a realidade de boa parte da colonização no Brasil.

No dia 16 de março de 1636, o povoado de São Sebastião foi oficialmente promovido à vila por Pedro Mota Leite, o 36º capitão-mór da capitania de São Vicente. Essa elevação foi um marco significativo para o progresso da região, que passou a contar com uma administração formal e contribuiu para consolidar a cidade como um dos principais centros urbanos da costa paulista. A vila de São Sebastião desenvolveu-se e solidificou-se ao longo dos anos, impulsionada pelas atividades agrícolas e comerciais, sempre caracterizada pela convivência entre colonizadores, indígenas e pessoas escravizadas.

Dessa forma, o pequeno núcleo às margens do Canal de Toque-Toque, que surgiu graças à bravura de homens como Unhate, Abreu e Escobar Ortiz, transformou-se em um relevante centro econômico e político na trajetória do litoral paulista. O cultivo da cana-de-açúcar, aliado ao trabalho de milhares de escravizados, foi fundamental para a formação de uma comunidade que, com o passar do tempo, se tornaria um símbolo de resistência e perseverança diante dos desafios da colonização e das dificuldades que marcaram a história do Brasil colonial.



1.1.98

Dados Gerais de Ilhabela

 Por Edson Souza

Antes de fazer as malas, é importante esclarecer algo fundamental sobre o nome da cidade: “Ilhabela” se escreve junto, e não separado. Por isso, ao postar ou escrever, evite a grafia incorreta “Ilha Bela”. Esse cuidado também se estende ao nome da padroeira da cidade: Nossa Senhora d’Ajuda e Bonsucesso — e não “Bom Sucesso”.

Ao chegar ao terminal de travessia de balsas entre São Sebastião e Ilhabela, lembre-se: você está prestes a entrar no município da Ilha de São Sebastião, que fica defronte ao continente de mesmo nome.

Ilhabela é um arquipélago, formado por um conjunto de ilhas. Quando dizemos “Ilhabela”, estamos nos referindo, em geral, às Ilhas de São Sebastião, dos Búzios, da Vitória, entre outras. Se não houvesse essas ilhas ao redor, seríamos apenas a “Ilha de São Sebastião”. Por isso, “Ilhabela” representa o todo — o conjunto de ilhas.

A ilha acumula diversos títulos que fazem jus ao nome: é realmente bela. Mágica, misteriosa, charmosa e exuberante, abriga uma rica porção da Mata Atlântica e uma infraestrutura bem distribuída ao longo de seus 346 km², com 14 morros, 73 praias e 27 cachoeiras acessíveis.

Ilhabela

Ilhabela é um dos poucos municípios-arquipélagos marinhos do Brasil, localizado no litoral norte do Estado de São Paulo. Possui uma população de aproximadamente 36.329 habitantes (IBGE, 2024) e apresenta uma das paisagens mais acidentadas da região costeira brasileira, com todas as características típicas de um relevo jovem.

A Ilha de São Sebastião se destaca como um dos acidentes geográficos mais elevados e proeminentes do litoral paulista, tendo como ponto culminante o Pico de São Sebastião, com 1.379 metros de altitude. Outros destaques são os morros do Papagaio (1.307 m), da Serraria (1.285 m), do Ramalho (1.205 m) e o Baepi (1.048 m).

O arquipélago é banhado pelo oceano Atlântico e está localizado a 184 km da cidade de São Paulo (cerca de 3h20 de viagem), 133 km de Santos (aproximadamente 2h20) e 343 km do Rio de Janeiro (em torno de 7h).


Estância Balneária

Ilhabela é um dos 15 municípios paulistas reconhecidos como Estâncias Balneárias pelo Estado de São Paulo, por atender a critérios específicos estabelecidos pela antiga Lei nº 163, de 27 de setembro de 1948. Esse reconhecimento garante ao município o acesso a recursos estaduais adicionais destinados à promoção do turismo regional. Além disso, confere o direito de utilizar oficialmente o título de "Estância Balneária" em documentos e comunicações tanto municipais quanto estaduais.

Vale destacar que essa legislação foi formalmente revogada pela Lei nº 17.469, de 13 de dezembro de 2021, no contexto de um processo de consolidação normativa. No entanto, a revogação não alterou o status de estância dos municípios já reconhecidos, preservando todos os seus direitos e benefícios.

Geografia

O município-arquipélago de Ilhabela possui uma área total de 346,389 km² (IBGE/2024). Suas principais ilhas são, em ordem decrescente de extensão territorial, a Ilha de São Sebastião, a Ilha dos Búzios, a Ilha da Vitória e a Ilha dos Pescadores — todas habitadas. Complementam o arquipélago diversos ilhotes, como os das Cabras, Sumítica, Serraria, Castelhanos, Lagoa, Figueira e Enchovas.

As ilhas dos Búzios e da Vitória localizam-se a 28 km e 40 km da Ilha de São Sebastião, respectivamente. Nessas localidades, o acesso é restrito a pequenas embarcações, como canoas, devido à precariedade dos píeres. Ambas guardam vestígios arqueológicos de antigos cemitérios indígenas. Seus moradores vivem de forma tradicional: pescam, cultivam alimentos e criam animais para subsistência. Periodicamente, recebem atendimento de equipes de saúde enviadas pela administração municipal.

A Ilha de São Sebastião abriga a área urbana do município e é, propriamente, a segunda maior ilha marítima do Brasil. Sua orla marítima tem aproximadamente 130 km de extensão, incluindo 14 morros, 73 praias e 27 cachoeiras acessíveis.

Ela está separada do continente (município de São Sebastião) pelo Estreito de Toque-Toque, também conhecido como Canal de São Sebastião, com cerca de 18 km de extensão e largura variável entre dois e cinco quilômetros. O acesso à ilha é feito por meio do serviço regular de balsas. A distância entre os extremos norte e sul da ilha ultrapassa os 22 km. Já o trajeto até a Praia dos Castelhanos — localizada no lado leste da ilha — mede aproximadamente 22 km a partir da balsa, ou 19 km a partir da guarita do Parque Estadual de Ilhabela, pela estrada que atravessa a mata atlântica.

Clima, Economia e Infraestrutura

Ilhabela apresenta clima tropical úmido, com temperatura média anual de aproximadamente 23 °C. O mês mais quente é fevereiro, quando as temperaturas podem atingir até 32 °C, enquanto o período mais frio ocorre em julho, com mínimas que chegam a 15 °C.

A economia local é fortemente baseada no turismo, comércio e construção civil, setores que movimentam grande parte da renda do município. A pesca artesanal e o artesanato tradicional também fazem parte da dinâmica econômica, embora em menor escala.

O acesso à ilha é realizado por meio de travessia de balsas a partir de São Sebastião, com tempo médio de percurso entre 15 e 30 minutos, dependendo das condições do tráfego marítimo.

A infraestrutura urbana de Ilhabela oferece uma ampla gama de serviços, incluindo táxis, transporte público, hotéis, pousadas, campings, chalés, hostels, bares, restaurantes, mercados, lojas de conveniência, bancos e agências dos Correios, garantindo conforto e comodidade tanto para moradores quanto para visitantes. 


Principais Bancos

Caixa Econômica Federal

Praça Coronel Julião, 29 — Centro.

Banco do Brasil

Av. Princesa Isabel, 2039 — Barra Velha.

Banco Bradesco

Rua Sérgio Rodrigues, 01 — Perequê.

Banco Itaú

Av. Princesa Isabel, 1298 — Perequê.

Banco Santander

R. Pref. Mariano Procópio de Araújo Carvalho, 39 — Perequê.

 

Serviço Postal

Agência dos Correios em Ilhabela

Rua Gérson Peres de Araújo, 25 — Barra Velha.

Anteriormente, Ilhabela utilizava um Código de Endereçamento Postal (CEP) único — 11630-000. No entanto, desde fevereiro de 2023, os Correios atualizaram o sistema de CEP por logradouro no município. Com essa mudança, cada rua, avenida, alameda, viela, travessa e quadra passou a contar com um CEP individualizado, o que facilita a identificação e a entrega de correspondências. Para consultar o CEP específico de cada logradouro, basta acessar a ferramenta "Busca CEP" disponível no site oficial dos Correios.

 

Ilhabela Não Tem!

Motel

Banco 24 horas

Praia de Nudismo


História de Ilhabela

 Por Edson Souza

A principal ilha do arquipélago hoje conhecido como Ilhabela foi batizada como Ilha de São Sebastião pelo navegador italiano Américo Vespúcio, que explorava a costa brasileira a serviço da Coroa Portuguesa. A escolha do nome deve-se ao fato de Vespúcio ter avistado a ilha em 20 de janeiro de 1502, dia consagrado ao santo homônimo no calendário cristão.

Muito antes da chegada dos europeus, o lugar já era frequentado pelos tupinambás, que o chamavam de Ciribaí, termo que pode ser traduzido como “lugar tranquilo”. A exuberância natural da ilha, com suas praias de águas cristalinas, cachoeiras e morros cobertas de Mata Atlântica, fazia dela um local ideal de descanso e rituais.

Com a intensificação da presença portuguesa no litoral, também se multiplicaram as aparições de piratas e corsários. A posição estratégica da ilha, entre o continente e o mar aberto, fez com que ela fosse usada como refúgio e esconderijo de tesouros saqueados. Até hoje persistem lendas sobre riquezas enterradas em locais como o Saco do Sombrio, no leste da ilha.

O processo de colonização formal começou em 1608, com a concessão de uma sesmaria a Francisco Escobar Ortiz, posteriormente outra para Diogo de Unhate. A ocupação definitiva impulsionou o cultivo de banana, fumo, cana-de-açúcar e mandioca, além da construção de engenhos de açúcar e aguardente. A mandioca, em especial, segue presente na cultura alimentar das comunidades caiçaras que habitam a ilha até hoje.

No final do século XVII e início do XVIII, a ilha viveu um período de prosperidade com o crescimento dos engenhos e do comércio local. A elevação do povoado à categoria de vila ocorreu somente em 3 de setembro de 1805, quando recebeu o nome de Villa Bella da Princeza Nossa Senhora d’Ajuda, abrigando então cerca de 3 mil habitantes.

A partir da metade do século XIX, com a proibição do tráfico transatlântico de escravizados, Ilhabela passou a servir como ponto clandestino de desembarque de africanos trazidos ilegalmente. Os navios negreiros fundeavam na isolada Baía dos Castelhanos, e os cativos eram forçados a cruzar a ilha a pé, por trilhas de difícil acesso, até alcançar o continente, fugindo da vigilância das autoridades imperiais.

O uso intensivo da mão de obra escravizada permitiu à ilha atingir seu auge econômico no século XIX. Estima-se que havia mais de trinta engenhos de açúcar espalhados pela ilha, o que resultou em grande devastação da vegetação nativa para dar lugar aos canaviais.

Atualmente, Ilhabela é reconhecida tanto por seu valor histórico quanto por suas belezas naturais, preservando um rico patrimônio cultural ligado à tradição caiçara, ao passado colonial e à memória dos povos originários e africanos que moldaram sua identidade.